Neste domingo, 4 de outubro de 2026, mais de 158 milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para exercer o direito sagrado do voto e escolher Presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. O pleito deste ano carrega um marco histórico: a urna eletrônica completa 30 anos de atuação, consolidada como um dos maiores patrimônios da democracia e da inovação tecnológica do país.
A jornada do equipamento começou em 3 de outubro de 1996, quando foi utilizado pela primeira vez de forma parcial nas eleições municipais daquele ano. Três décadas depois, o sistema desenvolvido pela própria Justiça Eleitoral libertou o Brasil de um passado de manipulações e apurações lentas, tornando o processo eleitoral de referência internacional.
O fim das fraudes e a rapidez na apuração
Do Império à criação da Justiça Eleitoral, o voto em papel conviveu com esquemas ilegais históricos, como a “urna grávida”, o “voto formiguinha”, o “eleitor fósforo” e a manipulação direta na contagem dos mapas. A informatização eliminou a dependência da intervenção humana nas etapas críticas de coleta, apuração e armazenamento.
“Um projeto bem-sucedido, 30 anos e nenhuma única prova ou evidência de fraude ocorreu nas etapas que envolvem o processo eleitoral brasileiro realizado pela urna eletrônica. Conseguimos libertar a nação brasileira desse triste histórico e agora o cidadão vota com a certeza de que a sua voz é respeitada e de que o seu voto vai ser contabilizado no resultado final”, enfatizou o secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Júlio Valente.
Além da segurança, a urgência na contagem dos votos transformou o cenário democrático. Antes do modelo eletrônico, a apuração levava dias ou até semanas para ser concluída. A partir dos anos 1990, a divulgação dos resultados passou a ocorrer em poucas horas após o encerramento da votação.
Evolução tecnológica e acessibilidade permanente
Ao longo de 30 anos, a urna eletrônica passou por aperfeiçoamentos contínuos:
- 1998: Introdução da foto de todas as candidatas e candidatos na tela.
- 2000: Utilização do sistema eletrônico por 100% do eleitorado nacional.
- 2002: Implementação da cerimônia pública de lacração e do Teste de Integridade.
- 2004: Início das auditorias periódicas no código-fonte.
- 2006: Primeiros testes com identificação biométrica.
- 2020-2026: Entrada em operação do modelo UE2020, com processamento 18 vezes superior, tela sensível ao toque para o mesário, certificação criptográfica nos padrões da ICP-Brasil, ampliação do prazo de acesso ao código-fonte para 12 meses e publicação em tempo real de Boletins de Urna (BUs).
O sistema também avançou em recursos de acessibilidade para garantir que todos exerçam sua cidadania. O equipamento conta com teclado em Braille e resposta sonora, saída de áudio com sintese de voz mais natural, nome fonético de candidatos e intérprete em Libras na tela para indicação de cargos, votos brancos, nulos e legendas partidárias.
Segurança em múltiplas camadas
A auditoria e fiscalização da urna eletrônica são exercidas em mais de 40 oportunidades ao longo do ciclo eleitoral por partidos políticos, Ministério Público, Polícia Federal, OAB, Forças Armadas, universidades e sociedade civil. Além dos Testes Públicos de Segurança (TPS) realizados periodicamente com a comunidade científica, o sistema utiliza assinatura digital e criptografia avançada.
O sucesso da solução brasileira ultrapassou fronteiras: pelo menos 34 países utilizam ou já testaram sistemas eletrônicos de votação, a exemplo de França, Índia, México, Peru e estados dos Estados Unidos.
Amanhã é dia de exercer a cidadania
Três décadas após a sua criação, a urna eletrônica reafirma o compromisso com a soberania popular e a transparência. Neste 4 de outubro, ao se dirigir à sua seção eleitoral em Foz do Iguaçu ou em qualquer lugar do Brasil, lembre-se de que cada digito na urna é uma escolha consciente sobre o futuro da nossa nação, do nosso estado e da nossa região. Faça um excelente uso do seu poder de voto!
*Com informações da Agência Brasil
Foto em destaque: Joédson Alves/Agência Brasil