Por Suzana Damata
Na perfumaria, existem fragrâncias que chegam e rapidamente passam a fazer parte das conversas, dos vídeos, das buscas e, principalmente, da lista de desejos de quem ama perfumes. Mas o que transforma uma fragrância em um fenômeno? Por que alguns perfumes atravessam a vitrine e chegam à boca do povo?
O fenômeno da viralização na perfumaria é resultado de uma combinação bastante interessante entre olfato, comportamento, desejo e influência. E, embora não exista uma fórmula exata para criar um perfume viral, alguns elementos aparecem com frequência quando observamos os grandes sucessos dos últimos anos.
Primeiro, o perfume precisa provocar uma reação
Antes de qualquer estratégia, existe o cheiro. Um perfume que viraliza normalmente tem uma identidade olfativa capaz de despertar alguma coisa: encantamento, curiosidade, memória ou aquela irresistível vontade de sentir novamente.
Pode ser uma combinação inesperada, uma assinatura marcante ou simplesmente um aroma extremamente agradável e fácil de reconhecer. É aí que a perfumaria deixa de ser apenas produto e passa a ser experiência.
Depois vem a história
Os perfumes que mais circulam nas redes sociais quase sempre carregam uma narrativa. Pode ser o árabe que surpreende pela qualidade e pelo preço; o perfume que lembra uma fragrância internacional muito desejada; o lançamento que apresenta uma combinação diferente; ou aquela fragrância que faz todo mundo perguntar o que você está usando.
Quando existe uma história por trás do perfume, fica mais fácil falar sobre ele. E tudo aquilo que é fácil de contar tem mais chances de ser compartilhado.
O poder do boca a boca
Na era das redes sociais, o boca a boca ganhou uma nova dimensão. Uma pessoa descobre, outra testa, alguém publica, outra pessoa comenta, um vídeo viraliza, a busca aumenta e, de repente, aquela fragrância que estava restrita a um determinado público começa a aparecer em todos os lugares. É um verdadeiro efeito dominó.
Foi esse movimento que ajudou perfumes como Asad e Yara, da Lattafa, a se transformarem em verdadeiros fenômenos da perfumaria árabe. Por muito tempo, eram nomes recorrentes em vídeos, rankings, indicações e conversas entre consumidores.
E hoje vemos novos protagonistas entrando nessa conversa: Lira e Nyra, da Nayaat; Queen of Arabia, da Lattafa; e Vulcan Feu, da French Avenue, são exemplos de fragrâncias que vêm despertando atenção e conquistando espaço justamente por reunir características que favorecem esse fenômeno — identidade, desejo, curiosidade e uma experiência olfativa que dá vontade de comentar.
A perfumaria também tem seus fenômenos
Observar quais perfumes viralizam é, de certa forma, observar para onde o mercado está caminhando. Os sucessos revelam mudanças de comportamento, novas preferências olfativas e até a maneira como as pessoas estão descobrindo e escolhendo suas fragrâncias.
E talvez seja justamente isso que torne a perfumaria tão fascinante: um perfume pode nascer como um lançamento entre tantos outros e, algumas semanas depois, se transformar em assunto, tendência e objeto de desejo.
No fim das contas, um perfume viral não é apenas aquele que vende muito. É aquele que faz as pessoas falarem sobre ele. Porque, quando uma fragrância consegue sair do frasco e entrar na conversa, ela deixa de ser apenas perfume — torna-se fenômeno.

Suzana Damata é especialista em perfumaria e acompanha esses movimentos diretamente na Elegancia Company, em Ciudad del Este, onde tendências, lançamentos e comportamento do consumidor se encontram para revelar quais fragrâncias realmente conquistam o público.







