A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta quarta-feira (21) resolução proibindo a fabricação, importação, comercialização, distribuição, propaganda e uso das canetas emagrecedoras das marcas Synedica e TG, conhecidas como “canetas do Paraguai”. A medida também inclui a retatrutida, substância ainda em fase de testes clínicos, que não pode ser comercializada.
Os produtos eram anunciados e vendidos sem registro na Anvisa, o que significa que não tiveram sua qualidade, segurança ou eficácia avaliadas no Brasil. A resolução estabelece que qualquer pessoa que comercialize ou divulgue os medicamentos está sujeita às penalidades legais.
Retatrutida: ainda em testes clínicos
A retatrutida é um novo tipo de GLP-1, com potencial de perda de peso maior do que outros medicamentos da mesma classe. No entanto, a substância está em fase experimental e não há distribuição autorizada. Qualquer produto vendido sob a alegação de conter retatrutida não possui garantia de segurança.
Riscos dos medicamentos não aprovados
O uso de medicamentos sem registro dificulta a rastreabilidade em caso de efeitos adversos. Também impede a adoção de medidas regulatórias em relação aos produtos.
Nenhum medicamento pode ser comercializado no Brasil com bula ou orientações em língua estrangeira, o que aumenta o risco de erros de administração. Produtos falsificados, adulterados ou clandestinos não podem ser controlados pelo país.
O perigo das “canetas do Paraguai”

Produtos como Lipoless e TG afirmam conter tirzepatida, o mesmo princípio ativo do Mounjaro, mas não são genéricos nem aprovados pela Anvisa.
A legislação paraguaia permite a produção local de versões próprias da substância. Apesar de legais no Paraguai, esses produtos não têm equivalência garantida com o Mounjaro original e seu uso irregular representa riscos à saúde. Desde 2025, órgãos de fiscalização da fronteira, como Receita Federal, PRF e Polícia Federal, registram apreensões frequentes, muitas vezes, trazidas ao Brasil escondidas em fundos falsos de veículos ou presos ao corpo de pessoas.
Casos recentes de intoxicação
Um caso recente ganhou repercussão nacional: Kellen Oliveira Bretas Antunes, de 42 anos, foi internada em Belo Horizonte após usar uma caneta emagrecedora comprada de forma irregular.
Inicialmente, Kellen apresentou dores abdominais e urina avermelhada. Recebeu alta com suspeita de intoxicação medicamentosa, mas voltou a ser internada em 28 de dezembro. Ela desenvolveu fraqueza muscular, insuficiência respiratória e problemas neurológicos.
Relatórios médicos indicaram inicialmente possível Síndrome de Guillain-Barré e, posteriormente, Porfiria Intermitente Aguda. Atualmente, Kellen permanece internada no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).



