Em pronunciamento nesta segunda-feira (18), durante evento do G5 Turismo Paraná — que reúne entidades como a Associação Brasileira de Agências de Viagens do Paraná (ABAV-PR), a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Paraná (ABIH-PR), a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Paraná (Abrasel-PR), a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR) e o Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação (SEHA) — o governador Ratinho Junior destacou o excelente momento do turismo paranaense e celebrou a marca de 1 milhão de visitantes estrangeiros no estado em 2025.
Ao citar Foz do Iguaçu como um dos grandes motores desse crescimento, o chefe do Executivo paranaense atrelou o sucesso local a três grandes investimentos: a ampliação da pista do aeroporto, a duplicação da Rodovia das Cataratas e a construção da Ponte da Integração.

Não há dúvidas de que o pacote de obras é histórico e, se Deus quiser, ampliará exponencialmente os horizontes da nossa fronteira nos próximos anos. Porém, no pouco que pude absorver sobre jornalismo e análise econômica (sempre observando o trabalho dos grandes profissionais que temos na região), aprendi que os fatos precisam ser colocados na ordem correta, então vamos lá: o atual ciclo de recordes sucessivos de Foz do Iguaçu não foi gerado por essas construções. O verdadeiro responsável por sustentar a cidade no topo é o trabalho árduo, resiliente e estratégico do trade turístico e da iniciativa privada local.
Para compreender o cenário sem paixões políticas (sempre muito afloradas em ano eleitoral), basta olhar para a realidade nua e crua da infraestrutura atual. A ampliação da pista do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, celebrada como o passaporte para o mercado global, ainda não se traduziu em um aumento real no volume de voos internacionais de longa distância se compararmos o cenário atual de 2025/2026 com o período de 2022 (nem vou comparar com 2019, senão fica muito feio).

O espaço físico cresceu, mas as conexões aéreas diretas com outros continentes ainda dependem de extensas negociações comerciais.
Na malha viária, o diagnóstico é semelhante. A duplicação da Rodovia das Cataratas — essencial para o fluxo do nosso principal atrativo — segue em ritmo de execução e com trechos inacabados.

Já a Ponte da Integração Brasil-Paraguai, embora visualmente pronta e imponente, continua subutilizada, operando apenas em janelas noturnas restritas para caminhões vazios e ônibus devido ao atraso nas obras de acesso dos dois lados da fronteira e ao recente impasse diplomático sobre a fiscalização de veículos leves.
Portanto, se as três grandes vitrines de infraestrutura ainda não operam em sua plenitude, como Foz do Iguaçu conseguiu registrar a maior ocupação hoteleira de sua história para um mês de abril (73,43%) e colocar o Parque Nacional do Iguaçu como o segundo mais visitado do Brasil, rompendo a barreira dos 2 milhões de turistas?
A resposta está no “chão de fábrica” do turismo iguaçuense. Está nas campanhas de promoção e captação de eventos financiadas e executadas pelo Visit Iguassu e pelo Fundo Iguaçu. Está no investimento pesado da hotelaria local, que se moderniza constantemente para oferecer serviços de padrão mundial. Está na criatividade dos novos atrativos que decidiram apostar na cidade e na gastronomia de vanguarda que atrai o público da Tríplice Fronteira.
Ao omitir essa engrenagem em discursos oficiais, o Estado corre o risco de esquecer que governos constroem o concreto, mas são os empresários, os guias de turismo, os trabalhadores do setor e a Gestão Integrada que constroem o destino.
As obras estruturantes darão frutos extraordinários no futuro e a parceria com o setor público é indispensável. Contudo, os louros pelos recordes de hoje pertencem a quem manteve as portas abertas, promoveu a cidade no mercado internacional e atendeu com excelência cada um dos milhões de viajantes que escolheram a Terra das Cataratas.
Reconhecer o esforço do trade local não é criticar a infraestrutura; é fazer justiça a quem carrega a economia de Foz nas costas.
Foto em destaque: Equipe da Rede Glodo durante gravações nas Cataratas. Divulgação/Visit Iguassu

