No futebol, quem faz três gols em um jogo tem o direito de escolher a trilha sonora no domingo. Em Foz do Iguaçu, o Governo do Estado parece ter garantido o seu “hat-trick” nesta quinta-feira (9). Com a entrega de 6,8 km da duplicação da Rodovia das Cataratas, o governo soma três grandes obras de infraestrutura inauguradas na cidade. O problema? Nenhuma delas está, de fato, 100% pronta para o cidadão.
O cenário é de um otimismo que não sobrevive a uma volta rápida pela cidade. Temos a estrutura, temos o asfalto, temos a fita cortada, mas falta o principal: a funcionalidade plena.
O gol de placa que ninguém usa: Ponte da Integração
A segunda ponte entre Brasil e Paraguai é, talvez, o maior símbolo dessa “entrega parcial”. A obra física está lá, imponente, ligando as duas margens do Rio Paraná. No entanto, ela segue subutilizada. Enquanto as obras estruturantes — Ativação completa das aduanas, Porto seco, acessos e desvio do fluxo pesado da cidade de Puerto Presidente Franco — não forem finalizadas em ambos os países, a ponte continua sendo um cartão-postal de luxo, mas incapaz de desafogar o trânsito caótico da Ponte da Amizade como deveria.
A Perimetral “pela metade”
Recentemente, tivemos o anúncio da liberação da Perimetral Leste. Mas a alegria durou pouco. A via foi entregue sem itens básicos de segurança, como sinalização adequada e guard-rails em trechos críticos. O resultado? Por recomendação da PRF e do DNIT, três dos principais acessos seguem fechados para evitar acidentes. É uma rodovia de integração que, por enquanto, mais isola do que conecta os bairros à BR-277.
Rodovia das Cataratas: O terceiro “gol”

Hoje foi a vez da Rodovia das Cataratas. O governador Ratinho Junior celebrou a entrega de 6,8 km duplicados, uma obra que atingiu 84% de execução total. É um avanço? Sem dúvida. Mas, novamente, o iguaçuense se depara com um trecho que ainda exige ajustes finos e que não reflete a fluidez total prometida para o corredor turístico.

O preço da pressa
Inaugurar obras é parte do jogo político, mas para quem vive em Foz, o que importa é o tempo de deslocamento, a segurança no trânsito e a logística do comércio. Entregar “pedaços” de soluções pode até render boas fotos e manchetes, mas gera uma frustração crônica na população, que vê o investimento bilionário ali, parado ou restrito, enquanto os problemas antigos persistem.
O Governo do Paraná marcou os três gols. Mas, se pudermos dar uma sugestão para a música do Fantástico, que seja uma que fale sobre paciência. Porque, pelo visto, o iguaçuense ainda vai precisar de muita para ver essas obras realmente servindo à comunidade em sua totalidade.
Fotos: Ari Dias/Divulgação AEN



