O histórico Mural das Cataratas, que integra o prédio da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu, começou a passar por um processo de restauração para recuperar as características originais da obra. O painel faz parte de um edifício construído na década de 1950 e, agora, ganha uma nova etapa de preservação.
Nos últimos meses, a Fundação Cultural realizou pesquisas, levantou documentos e buscou as autorizações necessárias para iniciar o trabalho. Agora, a equipe entrou na primeira etapa prática do restauro e começou a analisar as diferentes camadas de tinta presentes no mural.
Restauradora analisa camadas de tinta
Para conduzir o trabalho, a Fundação Cultural trouxe a restauradora Eva Zaldivar, especialista em conservação do patrimônio histórico e artístico, com atuação em Ouro Preto (MG).
Nesta primeira fase, Eva utiliza um microscópio para identificar quantas camadas de tinta existem sobre a pintura original. Além disso, a análise permite observar as características e as condições de cada camada. Segundo a restauradora, o mural não apresenta problemas estruturais, como umidade ou trincas. O principal desafio, portanto, está nas camadas de repintura que cobriram a obra original ao longo dos anos.
Depois dessa análise, a equipe vai definir qual camada corresponde à pintura original. A partir daí, os profissionais começarão a retirar, uma a uma, as camadas que ficam por cima. O trabalho exige bastante cuidado. Por isso, a equipe fará a remoção de forma manual, utilizando bisturi e solvente para avançar pouco a pouco pela pintura.
“Iremos remover camada por camada do que está por cima do original, com bisturi e solvente, pedacinho por pedacinho”, explica Eva.
A previsão é que o processo completo leve cerca de seis meses. No entanto, o tempo pode mudar conforme a equipe avance nas análises e encontre novas características na pintura.
Primeiro restauro em uma edificação pública
Além de recuperar uma obra histórica, o projeto também marca um momento importante para a preservação do patrimônio de Foz do Iguaçu.
Segundo o Conselho Municipal de Patrimônio de Foz do Iguaçu (CEPAC), esta é a primeira restauração desse tipo realizada em uma edificação pública da cidade. A equipe utiliza a técnica de estratigrafia para analisar as diferentes camadas e identificar a pintura original. De acordo com o presidente do CEPAC, Alexandre Baltazar, outras construções da cidade também possuem pinturas que podem passar por processos semelhantes.
“Temos outras edificações tombadas ou em processo que também possuem pinturas que devem ser restauradas. Então, provavelmente, esta é a primeira de uma série”, afirma.
Além disso, Baltazar considera o trabalho um avanço na preservação do patrimônio histórico de Foz. As primeiras leis municipais de preservação surgiram na década de 1990 e, desde então, o município passou a estruturar ações para proteger esses espaços.
Prédio também conta a história de Foz
O próprio prédio da Fundação Cultural carrega parte da história do município. A construção foi inaugurada em 1952 e, inicialmente, recebeu o primeiro Fórum da Comarca de Foz do Iguaçu, que atendia toda a região. Dessa forma, a restauração do mural não representa apenas a recuperação de uma pintura, o projeto também ajuda a preservar elementos que fazem parte da memória da cidade.
Para o diretor de Cultura da Fundação Cultural, Sérgio Teixeira, a parceria com profissionais de Ouro Preto também amplia a troca de conhecimentos sobre preservação.
“Essa aproximação entre Foz do Iguaçu e Ouro Preto fortalece o intercâmbio de conhecimentos, experiências e práticas relacionadas à conservação do patrimônio cultural, demonstrando que a preservação da memória é também um compromisso com o futuro”, ressalta.
Próximas etapas
Depois da análise inicial, a equipe seguirá um cronograma que inclui o mapeamento dos danos, a documentação das camadas de pintura e a definição da técnica de remoção. Na sequência, os profissionais poderão realizar testes, estabilizar as camadas pictóricas, tratar fissuras e lacunas e, posteriormente, fazer a reintegração das cores.
Por fim, a equipe fará a documentação fotográfica do mural antes, durante e depois da intervenção. Além disso, o projeto prevê um plano de manutenção e conservação preventiva para ajudar a preservar a obra após o término do restauro.
Foto em destaque: Divulgação/AMN
