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dom, 25 de out 2026

“Pandemia amplia e agrava situação de comunidades mais vulneráveis”, diz antropóloga


“O impacto desta pandemia, no que tange ao aspecto econômico e político, sobre as populações mais vulneráveis, sejam elas urbanas ou rurais, indígenas ou tradicionais, é de uma proporção gigantesca, avassaladora”, analisa a cientista social e docente do curso de Antropologia da Unila Senilde Alcântara Guanaes. A crise econômica e política que nasce com a crise sanitária, diz a docente, vai “afetar de um modo muito desigual essas populações, esses grupos sociais”, principalmente, porque não existem condições de se conhecer em que medida essas comunidades estão sendo afetadas. Consequentemente, não há como adotar “medidas necessárias para que haja um mínimo de proteção, de garantia institucional à saúde desses povos e comunidades”.

Senilde Guanaes é a entrevistada do quarto episódio da nova temporada da websérie “Fator Ciência”, produzida pela Unila. Esta temporada é dedicada a analisar a pandemia de Covid-19 e suas consequências. Doutora em Ciências Sociais com ênfase em Antropologia, Senilde também atua no mestrado em Integração Contemporânea da América Latina. O episódio está disponível no Youtube e em formato de podcast no Spotify.

Para Senilde, a pandemia amplia e agrava a situação de vulnerabilidade, de deslocamento forçado e de isolamento de muitas comunidades. “Populações, muitas vezes isoladas, sem condições de acesso à saúde, escola, educação, saneamento básico, a uma série de aparelhos, de dispositivos públicos ou de políticas públicas”, diz.

Ela lembra que, historicamente, o Brasil tem um processo social de profunda desigualdade, que vem aumentando, e que a organização político-territorial favorece as elites, oligarquias e o latifúndio, em detrimento do território dessas populações. “São processos extremamente violentos e que empurram essas populações para áreas fronteiriças, para áreas com terras menos valorizadas ou, no caso do campo para a cidade, para as áreas mais periféricas dentro das cidades, para as comunidades que são consideradas favelizadas. A gente tem esse processo de longa data.”

Segundo a antropóloga, as poucas conquistas e avanços registrados são consequências de “muita luta dos movimentos sociais”, principalmente a partir da Constituição de 1988. “Ao longo de algumas décadas, essas garantias, através de pressão social, foram integradas às políticas públicas, às políticas de Estado. E é importante dizer que, nos últimos tempos, a gente vem perdendo esses poucos avanços que foram conquistados com muito suor, muita luta dos grupos, dos movimentos”.

A pandemia se estabelece, aponta Senilde, nesse cenário de perda de garantias, de ruptura democrática, que vem sendo registrado não só no Brasil, mas em outros países da América Latina. “O que ocorre é que a pandemia chega em um momento extremamente danoso em termos políticos para esses grupos, para essas comunidades”, analisa, chamando a atenção para as populações indígenas, quilombolas e para as comunidades tradicionais.

Para ela, seria necessária a organização de uma resistência política. “Mas, no meio de uma pandemia, como é que se faz isso? Como é que se organiza? Como é que esses grupos conseguem se organizar sendo que a maioria ainda não tem acesso a computador, não tem acesso à internet de qualidade?”, argumenta.

Sobre a falta de testagem e de dados confiáveis sobre as vítimas do coronavírus, a pesquisadora destaca que as ações estão partindo de municípios e Estados, sem uma coordenação nacional, e que, no caso dos indígenas, especificamente, há uma grande dificuldade de atendimento. “São muitas comunidades indígenas, muitas terras indígenas espalhadas por todo o Brasil e pouca gente para trabalhar nessas áreas, (…) para levar suprimentos ou fazer testes.” Aliado a isso, completa, existe ainda uma situação de isolamento e, muitas vezes, da falta de documentação dos indígenas.

Segundo dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ligada ao Ministério da Justiça, 301 indígenas estão infectados com coronavírus e 19 morreram de Covid-19 em todo o país, com a região Norte sendo a mais atingida. A Sesai tem sob sua responsabilidade 38.945 indígenas, de 11 etnias, e distribuídos em 194 aldeias demarcadas. “Mesmo quem não acompanha o debate sobre a questão indígena sabe que existe um número imenso de aldeias que ainda não foram demarcadas”, ressalva, dizendo que a maior parte da população indígena está em áreas não demarcadas. “Eles sequer entram nesse cálculo. É muita gente de fora desse levantamento.”

Senilde aponta uma série de medidas que podem ser adotadas para minimizar os danos às populações mais vulneráveis, partindo do levantamento de dados. “Aí, entra o papel fundamental da universidade pública para fazer esse levantamento, conhecer essas comunidades, essas sociedades”, diz. “Hoje, seguramente, nenhuma dessas políticas públicas é possível de ser executada sem pesquisa sobre essas populações”, completa.

Outra medida, segundo ela, é recuperar dentro dos órgãos governamentais as políticas públicas e programas que já foram iniciados, mas estão paralisados. “E é fundamental o governo federal assumir o seu papel na liderança”, afirma.

Mídia

As comunidades indígenas e quilombolas também têm pouco espaço na mídia, na cobertura da pandemia. “A pandemia não traz nada de novo nesse sentido”, diz a antropóloga. A sociedade, alimentada pela grande mídia, diz ela, vai construindo uma imagem do índio agressor, violento, invasor de terras. “Essa é a narrativa que tem sido construída sobre os povos indígenas de modo geral, sobre as comunidades quilombolas também, há muito tempo, por esses meios de comunicação hegemônicos. A pandemia é um momento em que isso só se deflagra com uma força maior: ou não se mostra, porque não tem nada de importante para mostrar; ou mostra mais uma vez dentro dessa narrativa, dessa construção, desse discurso, que é o discurso do índio deteriorado, do índio que tem que seguir os caminhos da civilização, do crescimento econômico, do desenvolvimento.”

O isolamento das comunidades, pelas autoridades, ao mesmo tempo em que protege os indígenas, analisa Senilde, também os deixa mais frágeis. “Um dos primeiros movimentos foi o isolamento das aldeias, impedir que as pessoas fiquem circulando. O que está correto, o isolamento é necessário, mas ele também coloca em risco, em vulnerabilidade maior ainda esses povos, porque quem está fazendo pesquisa e os próprios operadores das políticas públicas têm dificuldade de acessar essas populações em meio à crise, que continua acontecendo, de ataques que continuam acontecendo. Ataques armados, inclusive”.

Ciência

Senilde destaca o papel da universidade pública e da ciência neste momento de crises (sanitária, econômica, social). “Ciência significa conhecimento de si, da sociedade, do meio em que vivemos. Tudo o que a gente cria, tudo o que a gente produz, produz a partir do conhecimento que a gente tem do meio e das demandas. Sequer essas demandas serão conhecidas se a gente não tiver o auxílio da universidade em todas as suas áreas.”

Ela lembra que as Ciências Sociais possibilitam o conhecimento das sociedades, de grupos e de suas especificidades, e, ainda, têm a capacidade de perceber, identificar, classificar e organizar essas demandas, possibilitando uma melhor eficácia das políticas públicas. “Quanto mais se investe nessas áreas, mais economia para os cofres públicos, porque menos se gasta com pesquisas que são jogadas fora, com políticas que não dão certo, que ficam só no papel. Isso é fundamental”, afirma.

Ela ressalta que o investimento em ciência, no Brasil, ainda é muito baixo. “Eu queria reforçar isso, a gente está falando de dinheiro público bem empregado. Se você observa o quanto é investido na universidade pública no Brasil, embora todo o mito construído de ataque às universidades, de ataque à própria ciência nos últimos anos no país, nós gastamos muito pouco, custamos muito pouco para os cofres públicos em relação ao que a gente devolve para a sociedade em termos de projetos de extensão, projetos de pesquisa, de formação de cidadania, formação de todas as áreas do conhecimento.”

A série

A websérie Fator Ciência estreou no dia 8 de maio. Por conta do período de isolamento social, o programa está em novo formato e foi gravado a distância, por meio da plataforma Zoom. Os capítulos serão divulgados sempre às sextas-feiras, no canal da Unila no YouTube e também em formato podcast no Spotify.

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Servidores da Receita Federal apreenderam 32 ovos de aves nativas durante uma fiscalização de rotina na Alfândega de Foz do Iguaçu na manhã deste sábado (24). O material era transportado de forma clandestina por um casal de passageiros de nacionalidade chinesa em um ônibus interestadual que seguia para o Rio de Janeiro (RJ).

Segundo a equipe de fiscalização, a maior parte dos ovos estava em caixas térmicas e de papelão adaptadas com circuitos eletrônicos, ventoinhas e sensores de controle de temperatura e ventilação, simulando uma incubadora artesanal. O restante dos ovos estava oculto no forro interno e nas costuras da jaqueta da passageira.

Tráfico internacional e destino dos ovos

Ao serem questionados pelos agentes, os passageiros confessaram que retiraram os ovos em Foz do Iguaçu e receberiam R$ 3 mil pelo transporte até o Aeroporto Internacional do Galeão, na capital fluminense. A estimativa das autoridades aponta que cada ovo de espécie nativa pode alcançar até 50 mil euros no mercado ilegal da Europa.

As condições precárias do transporte indicavam uma tentativa de incubação clandestina ao longo do trajeto.

Após a apreensão, os 32 ovos foram entregues aos cuidados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) para a tentativa de identificação das espécies e preservação dos embriões. O casal de estrangeiros foi encaminhado à Delegacia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu para o registro da ocorrência e demais procedimentos cabíveis.

 

Fotos: Divulgação/Assessoria de Comunicação da Alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu

O Foz do Iguaçu FC entra em campo na tarde deste sábado (24) em busca da classificação para as semifinais da Copa Paraná 2026. O Azulão enfrenta o Azuriz, às 15h30, no Estádio Os Pioneiros, em Pato Branco. Por se tratar de um playoff em jogo único, quem vencer avança. Em caso de empate no tempo regulamentar, a vaga será decidida nas cobranças de pênaltis.

A delegação iguaçuense viajou para o Sudoeste do Estado na manhã de sexta-feira (23) e realizou o último treino de preparação no Complexo Esportivo Frei Gonçalo, ajustando a tática sob o comando do técnico Ageu Gonçalves.

Reencontro e ajustes táticos

Foto: Franz Fleischfresser/Divulgação Foz do Iguaçu FC.

As duas equipes já se enfrentaram nesta edição do torneio, no dia 5 de setembro, também em Pato Branco, com vitória do Azuriz por 2 a 0. O resultado serviu de base para a comissão técnica do Foz analisar erros e mapear oportunidades para o duelo eliminatório.

Na primeira fase, o Azuriz terminou em quarto lugar, com dez pontos, garantindo o mando de campo no playoff. O Foz do Iguaçu encerrou na quinta posição, com nove pontos.

“Sabemos que será um jogo difícil, contra uma equipe que já enfrentamos e que conhece a nossa forma de jogar. Aquele primeiro confronto nos dá referências importantes. Precisamos entrar concentrados, competir durante os 90 minutos e ter eficiência quando as oportunidades aparecerem”, avaliou o meia Leonardo Tiba.

O técnico Ageu Gonçalves reforçou a necessidade de equilíbrio tático em uma partida sem margem para erro. “Vamos a Pato Branco com o objetivo de buscar a classificação. É uma decisão, e o grupo sabe da importância de entrar concentrado e lutar pelo resultado até o fim”, destacou o treinador.

O que está em jogo

O vencedor do duelo entre Foz do Iguaçu e Azuriz enfrentará o Paraná Clube nas semifinais. O Tricolor avançou diretamente para a fase decisiva por ter encerrado a primeira etapa na liderança, assim como o Paranavaí, segundo colocado.

Além da taça, o campeão da Copa Paraná 2026 garante o direito de escolher entre uma vaga na Copa do Brasil ou na Copa Sul-Sudeste da temporada 2027.

Serviço do jogo

Confronto: Azuriz x Foz do Iguaçu FC (Playoffs – Copa Paraná 2026)
Data e horário: Sábado, 24 de outubro de 2026, às 15h30
Local: Estádio Os Pioneiros, Pato Branco (PR)
Regulamento: Jogo único (empate leva a decisão para os pênaltis)
Onde assistir: TV Paraná Turismo e canal oficial da FPF TV no YouTube

 

A Prefeitura de Foz do Iguaçu definiu um plano de melhorias para a Avenida Brasil, uma das principais vias do comércio central do município. As ações visam preparar a região para o aumento de fluxo de moradores e turistas durante o período de festas de fim de ano e o início das férias, cobrindo o intervalo de dezembro até fevereiro de 2027.

O pacote de trabalhos foi pactuado durante reunião na Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (ACIFI) entre representantes do poder público e comerciantes do Núcleo da Avenida Brasil.

Ações previstas na Avenida Brasil

Os serviços serão executados de forma conjunta entre a Secretaria Municipal de Obras e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. A previsão é que os trabalhos no local comecem nas próximas semanas, a depender do clima.

As intervenções acordadas para a avenida incluem:

  • Calçadas e vegetação: Reparos e adequações nos passeios públicos, acompanhados de poda e manejo das árvores;
  • Pavimentação: Correções e manutenção no asfalto ao longo da via;
  • Equipamentos urbanos: Pintura e conservação de estruturas públicas e de sinalização, como as esferas decorativas e os quiosques;
  • Iluminação e limpeza: Reforço na iluminação pública e ornamental, além de lavagem e limpeza geral do calçadão.

 

Foco no comércio local

De acordo com o secretário municipal de Obras, engenheiro Alecsandro Broio, as equipes aguardam condições climáticas favoráveis para iniciar os trabalhos em campo.

“Entendemos a importância dessas melhorias na avenida, uma das principais vias do comércio da cidade, especialmente para esse período de fim e início de ano, quando há grande movimentação de pessoas na região”, ressaltou o secretário.

 

 

 

Foto em destaque: Divulgação/AMN

A Itaipu Binacional fechou a calha central do seu vertedouro às 15h40 desta sexta-feira (23). A calha estava aberta desde a manhã do dia 15 de outubro e não há previsão para reabertura. No entanto, a calha esquerda segue aberta, vertendo cerca de 8 milhões de litros de água por segundo (8.000 m³/s).

A manobra faz parte de uma operação coordenada pela Comissão Especial de Cheias da usina para conter os efeitos da forte elevação na vazão do Rio Iguaçu, evitando o aumento repentino do nível do Rio Paraná na faixa de fronteira entre o Brasil e o Paraguai.

Foto: William Brisida/Itaipu Binacional.

Nas últimas 24 horas, a vazão do Rio Iguaçu medida na Estação Cataratas saltou de 4.970 m³/s para 7.480 m³/s. A previsão das equipes técnicas é que o volume do Iguaçu continue subindo, podendo atingir até 12 milhões de litros por segundo (12.000 m³/s) nos próximos dias.

Amortecimento de cheias e nível do reservatório

Reservatório da Itaipu. Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional.

Para absorver esse aumento sem impactar severamente as áreas ribeirinhas de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, a Itaipu utilizará a capacidade de armazenamento do seu próprio reservatório.

A cota da represa atingiu 219,30 metros acima do nível do mar nesta sexta-feira — uma redução de quase 1,20 metro em relação ao pico de 220,50 metros registrado no último dia 13. Essa margem operacional permite à usina reter temporariamente parte da água que chega pelo Rio Paraná, diminuindo a defluência do complexo hidrelétrico.

“A redução do vertimento vai manter o Paraná estável enquanto o Iguaçu sobe. Dessa forma, não haverá aumento do nível na estação de medição da Ponte da Amizade”, explicou o engenheiro Paulo Zanelli Jr., coordenador da Comissão Especial de Cheias da Itaipu. O objetivo é manter o nível do Paraná próximo ao patamar atual, de 116,60 metros, buscando uma redução gradual à medida que a vazão permitir.

A Itaipu informou ainda que a geração de energia elétrica segue normalmente, alinhada às diretrizes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), no Brasil, e da Administración Nacional de Electricidad (ANDE), no Paraguai.

Alerta à população e orientações da Defesa Civil

Vista aérea do Rio Paraná. Foto: William Brisida/Itaipu Binacional.

A Comissão Especial de Cheias da Itaipu e os órgãos de proteção civil do Brasil e do Paraguai orientam os moradores da região fronteiriça, em especial as famílias de áreas ribeirinhas, a acompanharem as atualizações frequentes do Boletim Hidrológico.

O documento é atualizado no site oficial (www.itaipu.gov.br) e no perfil do Instagram da usina. As autoridades reforçam que moradores já acolhidos ou transferidos para locais seguros devem permanecer onde estão e seguir estritamente os alertas da Defesa Civil.

 

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