Lideranças da sociedade civil e do setor empresarial de Foz do Iguaçu formalizaram um documento conjunto ao governo federal reivindicando diálogo institucional e protestando contra medidas unilaterais que vêm prejudicando a cidade e a região trinacional formada por Brasil, Paraguai e Argentina.
O posicionamento reúne entidades ligadas ao turismo, à logística e ao comércio, que defendem a criação de uma agenda permanente de diálogo para evitar decisões verticais consideradas equivocadas e desconectadas da realidade local.
A deliberação ocorreu durante reunião do Conselho de Desenvolvimento da Região Trinacional do Iguaçu (Codetri), realizada na sexta-feira (16). O documento é endereçado à ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, além de ministérios de áreas afins e instâncias parlamentares e diplomáticas.
Medidas sem diálogo preocupam lideranças
O texto aponta exemplos de decisões estabelecidas por órgãos federais sem consulta prévia aos representantes da região fronteiriça. Um deles é a alteração na circulação de ônibus turísticos entre os países, anunciada para entrar em vigor sem planejamento e organização, e suspensa temporariamente após questionamentos.
Outro ponto citado é a falta de diálogo com a comunidade na abertura da Perimetral Leste e da Ponte Internacional da Integração. Segundo as entidades, a ausência de alinhamento levou à formação de filas e transtornos urbanos, agravados pelo atraso na conclusão da Rodovia das Cataratas.
As lideranças também mencionam o fechamento do acesso à área comercial e residencial do Jardim Jupira, na BR-277, realizado sem entendimentos prévios com os atores locais. A carta ainda alerta para problemas que se anunciam, como a necessidade de construção de acesso ao novo Porto Seco de forma integrada às obras do terminal, evitando um colapso no trânsito na entrada de Foz do Iguaçu.
Região vive momento histórico
Para o presidente do Codetri, Roni Temp, decisões sobre a região estão sendo tomadas por quem não conhece a realidade da fronteira. “Quem está decidindo sobre a nossa realidade são pessoas que não a conhecem e, muitas vezes, sequer vivem o dia a dia da fronteira”, afirmou.
Segundo ele, o documento expressa a posição conjunta das entidades e dos principais setores que impulsionam o desenvolvimento regional. “Esse documento integra a posição dos segmentos que alavancam o desenvolvimento da região, que são o turismo, a logística e o comércio”, destacou.
Roni ressaltou ainda que as Três Fronteiras atravessam um momento histórico, com obras estruturantes, fortalecimento do comércio internacional e fronteiriço e grandes investimentos em hotéis, atrativos turísticos e gastronomia. “Não podemos deixar que decisões burocráticas coloquem essas conquistas em risco. Estamos unidos na defesa de uma região trinacional próspera e integrada”, concluiu.
Representatividade e posicionamentos

Durante a reunião, dirigentes reforçaram que a ausência de interlocução compromete decisões estratégicas. O presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), Diogo Marcel Araújo, afirmou que a região não pode aceitar decisões impostas de cima para baixo.
O presidente do Conselho de Desenvolvimento de Foz do Iguaçu (Codefoz), Marcelo Brito, destacou a união da sociedade civil e empresarial. Já o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (ACIFI), Danilo Vendruscolo, apontou a importância econômica da região para os três países vizinhos.
O presidente do Sindicato das Empresas de Turismo (Sindetur), Fernando Martin, afirmou que medidas unilaterais têm sido recorrentes e que, muitas vezes, os setores afetados tomam conhecimento das mudanças apenas pela imprensa.
Filas na BR-277 e impacto regional
Representando a Prefeitura de Santa Terezinha de Itaipu, o procurador-geral Osli Machado cobrou solução para as filas na BR-277, no limite com Foz do Iguaçu. Segundo ele, o represamento afeta diretamente a conexão entre os dois municípios, que compartilham atividades laborais, econômicas e serviços.
A chefe da Polícia Rodoviária Federal em Foz do Iguaçu, Andressa Regene, afirmou que o órgão mantém as portas abertas para o diálogo sobre demandas relacionadas à instituição.
Direito de decidir sobre o território
Pela Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC), Paulo Angeli ressaltou que o destino tem o direito de decidir sobre sua forma de organização. Representando a Associação Brasileira de Agências de Viagens de São Paulo (ABAV-SP), Felipe Gonzalez afirmou que decisões desencontradas afetam o turismo em nível nacional, dada a relevância estratégica da região.
Da Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (ABTI), Leonardo Quinonez destacou que o arranjo atual para o uso da Ponte da Integração não favorece o setor. O presidente do Conselho de Desenvolvimento de Presidente Franco (Codefran), Ivan Leguizamón, alertou que o tráfego pesado tem impactado a cidade.
Representando o Conselho de Desenvolvimento de Ciudad del Este (Codeleste), Linda Taiyen destacou que, no Paraguai, os órgãos governamentais mantêm diálogo constante com as representações locais da sociedade civil.
Com Informações: Assessoria de Imprensa/CODETRI Fotos: Divulgação/Assessoria CODETRI



