A Região Sul chegou a agosto de 2026 com 9,72 milhões de consumidores negativados, o equivalente a 39,90% da população adulta. Embora seja a menor proporção de inadimplentes entre as cinco regiões brasileiras, o Sul apresentou a maior alta no número de devedores na comparação com agosto de 2025: 8,32%.
Os dados fazem parte do Indicador de Inadimplência de Pessoas Físicas do SPC Brasil, que acompanha mensalmente a evolução do número de consumidores negativados e das dívidas em atraso registradas nas bases às quais a entidade tem acesso.
O resultado chama atenção por revelar duas perspectivas distintas sobre a região. O Sul ainda apresenta proporcionalmente menos adultos negativados que Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, mas a velocidade de crescimento da inadimplência nos últimos 12 meses foi superior à registrada em todas elas.
Enquanto o número de consumidores inadimplentes cresceu 8,32% no Sul, a alta foi de 6,38% no Norte, 5,06% no Centro-Oeste, 2,98% no Nordeste e 2,95% no Sudeste. Na comparação entre julho e agosto, por outro lado, o Sul registrou queda de 1,81% no número de devedores.
Inadimplência também avança entre as empresas
O movimento não está restrito às pessoas físicas. Entre as empresas, a Região Sul registrou crescimento de 17,19% no número de CNPJs inadimplentes em agosto, na comparação com o mesmo período de 2025.
Foi a segunda maior alta entre as regiões, atrás apenas do Centro-Oeste, com 17,44%. No Brasil, o crescimento do número de empresas inadimplentes no mesmo período foi de 12,82%.
Quando a análise considera a quantidade de dívidas empresariais em atraso, a pressão também aparece. No Sul, esse número avançou 18,47% em 12 meses, novamente a segunda maior variação regional, enquanto a média brasileira ficou em 14,72%.
No cenário nacional, cada empresa negativada devia, em média, R$ 7.030,71 em agosto, considerando a soma de todas as suas dívidas, e possuía compromissos em atraso com uma média de 1,79 empresa credora.
Os indicadores mostram, portanto, que a inadimplência no Sul merece atenção tanto pelo comportamento dos consumidores quanto pelo avanço observado entre as empresas.
E onde entra o crédito nesse cenário?
Ao mesmo tempo em que a inadimplência avança, o crédito continua fazendo parte da dinâmica econômica da região.
O Indicador de Demanda por Crédito do SPC Brasil, que acompanha o volume de consultas realizadas pelo setor financeiro nas bases às quais a entidade tem acesso, mostra que o Sul respondeu por 17,81% das consultas registradas em agosto de 2026. Foi a terceira maior participação do país, atrás do Sudeste, com 45,55%, e do Nordeste, com 21,70%.
No Brasil, o volume de consultas do setor financeiro cresceu 57,17% em agosto de 2026 em relação ao mesmo mês de 2025. Na comparação com julho, houve recuo de 8,55%.
O indicador regional, porém, apresenta a participação de cada região no total de consultas, e não a evolução anual específica do Sul. Por isso, os números não permitem afirmar que a demanda por crédito cresceu 57,17% na região.
Outro dado nacional ajuda a contextualizar a relação entre crédito e inadimplência: entre os consumidores consultados pelo setor financeiro em agosto, 38,59% possuíam alguma restrição ativa.
O cenário reforça que disponibilidade de crédito e risco precisam ser analisados em conjunto, especialmente em decisões que envolvem concessão de prazo ou relacionamento financeiro com clientes.
Para quem vende a prazo, conhecer o cliente ganha ainda mais importância
Os indicadores regionais ajudam a dimensionar o ambiente econômico, mas a decisão de conceder crédito acontece no nível de cada negociação.
Para empresas que vendem a prazo, ampliar carteira ou aumentar faturamento sem critérios adequados de análise pode elevar também a exposição à inadimplência. Nesse contexto, conhecer melhor quem está do outro lado da negociação passa a fazer parte da gestão comercial.
Informações cadastrais, pendências financeiras, protestos, comportamento de pagamento e outros indicadores podem complementar a avaliação de pessoas e empresas antes da definição de limites e condições comerciais.
Soluções de Análise de Clientes do SPC Brasil reúnem diferentes informações para apoiar empresas na avaliação de CPF e CNPJ e oferecer mais elementos para decisões de crédito e gestão de risco.
Dados regionais ajudam a enxergar além da média nacional
A fotografia de agosto mostra por que observar apenas indicadores nacionais pode esconder movimentos relevantes.
No caso do Sul, a região continua apresentando a menor proporção de consumidores negativados do país, mas liderou o crescimento anual do número de inadimplentes pessoas físicas. Entre as empresas, o avanço da inadimplência também ficou acima da média nacional.
Para as empresas que atuam na região, acompanhar essas mudanças pode contribuir para compreender melhor o ambiente de crédito, revisar políticas comerciais e avaliar riscos antes que eles apareçam na carteira.
Em um mercado no qual crédito continua movimentando relações de consumo e negócios, transformar dados em informação para decidir passa a ser parte importante da estratégia de crescimento.
Fonte dos dados: SPC Brasil – Indicadores de Inadimplência de Pessoas Físicas, Inadimplência de Pessoas Jurídicas e Demanda por Crédito, agosto de 2026.
Conteúdo desenvolvido pela jornalista Daiane de Souza (0007147/SC).

