A equipe do Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), mantido pela Itaipu Binacional em Foz do Iguaçu, assumiu os cuidados técnicos e veterinários dos ovos e filhotes de aves nativas apreendidos pela Receita Federal no último sábado (24). Até a manhã desta terça-feira (27), 12 filhotes já haviam eclodido com sucesso no local.
Dos 34 ovos retidos na fiscalização a um ônibus de passageiros, sete pertencem à família dos psitacídeos (como papagaios, araras e periquitos) e 27 à família dos ranfastídeos (tucanos e araçaris). Os primeiros nascimentos ocorreram na madrugada de domingo e, até o momento, nasceram 10 ranfastídeos e dois psitacídeos. A previsão dos especialistas é que todos os ovos restantes eclodam até sexta-feira (30).
As espécies exatas ainda não podem ser confirmadas visualmente nesta fase inicial de desenvolvimento, mas as aves recebem acompanhamento contínuo em incubadoras com controle rigoroso de temperatura e umidade.
Dieta exclusiva e UTAs para os recém-nascidos

Assim que nascem, as aves são transferidas para Unidades de Tratamento Animal (UTA), onde devem permanecer por pelo menos 40 dias sob supervisão médica.
A rotina de tratamento é intensa. Os filhotes recebem 11 refeições diárias, servidas entre 7h e 17h, preparadas de acordo com as exigências nutricionais de cada família:
- Ranfastídeos (tucanos/araçaris): Exigem dieta rica em proteínas, recebendo um farelo com formulação exclusiva desenvolvida pelos zootecnistas da Itaipu;
- Psitacídeos (papagaios/araras): Alimentados com papinha comercial especializada e suplementada.

Antes do nascimento, os ovos passam por exames periódicos de ovoscopia (uso de feixes de luz para verificar o embrião) a cada dois dias, além do monitoramento cardíaco das aves ainda no interior das cascas.
Protocolo para evitar vínculo e permitir futura soltura
Para garantir que as aves possam retornar à natureza no futuro, a equipe do Refúgio Biológico adota um protocolo rígido para evitar o chamado imprinting — processo em que o filhote reconhece e cria vínculo com o ser humano como seu cuidador.
As equipes técnicas realizam todo o manejo de alimentação e limpeza com o mínimo de contato humano possível. A decisão final sobre a soltura dos indivíduos em habitats naturais ou o encaminhamento a santuários caberá aos órgãos ambientais competentes, como o IBAMA.
Foto em destaque: Sara Cheida/Itaipu Binacional
