O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Foz do Iguaçu (SITRO-FI) e o Sindicato dos Transportadores (SINDiFOZ) participaram, nesta sexta-feira (21 de agosto de 2026), de uma reunião virtual com representantes do Ministério das Relações Exteriores e da Secretaria-Geral da Presidência da República. No encontro, de cerca de 2h30min, as entidades defenderam a ampliação do horário de passagem de caminhões pesados para 24 horas e a melhoria das condições operacionais na Ponte da Integração, que liga Foz do Iguaçu a Presidente Franco.
A articulação dá sequência às pressões da categoria, que realizou um protesto no início de agosto no lado brasileiro da via. O foco dos trabalhadores é a assimetria nas regras fixadas pela Comissão Mista Brasil–Paraguai: enquanto caminhões de pequeno porte em lastro (vazios) foram autorizados a cruzar a ponte das 7h às 19h, cerca de 200 veículos de grande porte continuam restritos ao período noturno e de madrugada, das 20h30 às 5h.
Segundo o presidente do SITRO-FI, Rodrigo Andrade de Souza, a restrição obriga os caminhoneiros brasileiros a aguardarem o horário de liberação no lado paraguaio sob condições insalubres, sem infraestrutura adequada de segurança, água potável ou higiene.
Obras no Paraguai e prazo para operação 24 horas
Conforme alinhado durante a reunião pelo diplomata Daniel Falcón Lins, integrante das negociações do Governo Brasileiro, o impasse enfrenta entraves do lado paraguaio. As autoridades de Presidente Franco apontam limitações no tráfego urbano local até a conclusão das obras da Ponte do Rio Monday — estrutura projetada para desviar o fluxo pesado do centro da cidade vizinha.
A previsão informada nas tratativas é que a obra paraguaia seja concluída em 30 de abril de 2027, data em que o trânsito de veículos pesados em regime de 24 horas passaria a ser viabilizado integralmente na nova ponte.
Logística e ameaça de paralisação
A demora no aproveitamento total da Ponte da Integração impacta o comércio exterior na Tríplice Fronteira. De acordo com o presidente do SINDiFOZ, Celso Gallegario, as restrições e gargalos logísticos causam um prejuízo estimado entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões ao ano nas trocas bilaterais. Dados da Receita Federal apontam que o Porto Seco de Foz do Iguaçu movimentou US$ 9,8 bilhões em 2025, sendo o Paraguai o destino/origem de 77,5% dos caminhões.
Uma nova rodada de negociações da Comissão Mista Brasil–Paraguai está agendada para a próxima semana, onde se busca, ao menos, a ampliação imediata da janela noturna. O SITRO-FI reforçou que, caso não ocorram avanços satisfatórios para os trabalhadores, a categoria avaliará em assembleia o retorno das paralisações na fronteira.