A administração municipal de Foz do Iguaçu já projeta o planejamento de investimentos para 2027. Em reuniões recentes em Curitiba entre o prefeito General Silva e Luna e a equipe de transição do governo estadual, foram alinhadas pautas estratégicas que incluem desde grandes intervenções em mobilidade urbana até o retorno de projetos de revitalização em pontos tradicionais da cidade, como a Praça da Bíblia e o Parque Monjolo.
No entanto, o anúncio de novas melhorias nesses dois espaços traz à tona um questionamento recorrente entre moradores e observadores da gestão pública local: por que locais que já passaram por reformas estruturais anos atrás continuam exigindo novas requalificações periódicas?
O ciclo das reformas: entre a novidade e o desgaste urbano
Para quem acompanha o desenvolvimento de Foz do Iguaçu, ver a Praça da Bíblia e o Parque Monjolo novamente no centro de um pacote de obras gera uma inevitável sensação de que a cidade às vezes “anda em círculos” quando o assunto é a preservação de áreas públicas.
Para contextualizar esse cenário, vale lembrar o histórico de intervenções já realizadas nesses locais:
- Parque Monjolo: O espaço passou por grandes etapas de revitalização entregues entre 2014 e 2015, que incluiu a substituição de alambrados, reestruturação da pista de caminhada, instalação de novas luminárias, pergolados e melhorias de contenção no Arroio Monjolo.
- Praça da Bíblia: No Jardim São Paulo, a praça recebeu pacotes de melhorias setoriais de infraestrutura e calçamento concluídos entre 2017 e 2018, além de implantação de academias ao ar livre e manutenções periódicas de zeladoria.
O fato de esses locais voltarem a demandar grandes intervenções estruturais após pouco mais de uma década evidencia que, muitas vezes, o poder público investe pesadamente na obra física de revitalização, mas falha em estabelecer um modelo contínuo de manutenção preventiva, segurança e conservação. Sem um plano de governança focado em evitar a depredação e garantir o cuidado diário, a cidade acaba refazendo o que já foi gasto, gerando a percepção de estagnação.
O pacote de obras e prioridades para 2027
Apesar dos desafios de gestão a longo prazo, o planejamento apresentado para 2027 prevê frentes importantes para tentar destravar gargalos históricos do município:
- Recapeamento Asfáltico: O avanço na liberação de recursos e a chegada de uma fresadora (equipamento essencial para raspar o asfalto antigo antes da nova capa) foram colocados como prioridade máxima pelo executivo municipal. A chegada do equipamento promete, finalmente, dar utilidade plena à Usina Municipal de Asfalto. Implantada e amplamente alardeada em 2018 durante a gestão do ex-prefeito Chico Brasileiro sob a promessa de autossuficiência da cidade, a usina perdeu protagonismo ao longo da administração do General Silva e Luna, limitando-se a intervenções pontuais. Com o maquinário de fresagem, a estrutura pública poderá finalmente operar em capacidade máxima para recuperar as vias do município.
- Mobilidade Urbana e Conexão de Bairros: Estão previstas a construção de novas pontes para encurtar trajetos cortados por fundos de vale, além da licitação da trincheira ligando o Jardim Jupira à Vila Portes (estimada em cerca de R$ 17 milhões) e o avanço do projeto do viaduto no Trevo do Charrua, ambos na BR-277.
- Saúde e Infraestrutura: O convênio para a construção do novo hospital em Foz do Iguaçu segue em fase de trâmites administrativos, como licenciamento ambiental e desafetação de terreno, com expectativa de assinatura ainda para este final de ano.
A aposta da gestão para 2027 é aliar o planejamento de grandes obras estruturantes à parceria com o governo estadual para tentar imprimir ritmo ao desenvolvimento de Foz do Iguaçu — cabendo à fiscalização e à sociedade cobrar para que o ciclo de abandono e reconstrução dê lugar a uma política sustentável de preservação do patrimônio público.


