Recentemente, o YouTuber Gabriel de Pinho, que possui mais de 750 mil inscritos em seu canal, esteve em Foz do Iguaçu produzindo conteúdo sobre o destino. Um detalhe chamou atenção logo no título do vídeo:
“FOZ não é só PARAGUAI! Vamos conhecer as CATARATAS!”
Pode parecer apenas um título de vídeo, mas ele revela uma percepção que precisamos discutir: para uma parte dos turistas, Foz do Iguaçu deixou de ser lembrada automaticamente como o destino das Cataratas e passou a ser associada principalmente às compras no Paraguai.
E esse é um ponto estratégico para o turismo da cidade.
A frase “Foz não é só Paraguai” parte de uma necessidade de explicar algo que deveria ser óbvio: Foz do Iguaçu é um dos maiores destinos de natureza do mundo, reconhecido internacionalmente pelas Cataratas do Iguaçu, mas a percepção de muitos visitantes está sendo construída por outro atributo — as compras na fronteira.
O problema não é o Paraguai fazer parte da experiência turística. Pelo contrário, a Tríplice Fronteira é um dos grandes diferenciais competitivos de Foz. O desafio é quando um produto complementar passa a ocupar o lugar do principal símbolo do destino.
As Cataratas do Iguaçu são uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo, recebem milhões de visitantes todos os anos e são reconhecidas pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade desde 1986. É um ativo turístico de escala global, algo que poucas cidades no Brasil possuem.
Mas existe uma disputa silenciosa acontecendo: a disputa pela primeira lembrança do turista.
Quando alguém pensa em Paris, pensa na Torre Eiffel. Quando pensa no Rio de Janeiro, lembra do Cristo Redentor. Quando pensa em Foz do Iguaçu, precisamos garantir que a primeira imagem ainda seja a grandiosidade das Cataratas e não apenas uma sacola de compras atravessando a Ponte da Amizade.
O vídeo do Gabriel mostra que existe uma lacuna entre aquilo que Foz é e aquilo que parte do público entende que Foz oferece.
Isso não é uma crítica ao Paraguai, ao comércio ou às compras: E sim uma oportunidade de reposicionamento.
O turismo de Foz precisa comunicar melhor a sua diversidade: Cataratas, Itaipu, experiências gastronômicas, cultura argentina, compras no Paraguai, aventura, ecoturismo e experiências únicas na fronteira.
A pergunta é:
Se um turista precisa ser lembrado que Foz não é só Paraguai, será que estamos comunicando suficientemente que Foz é muito mais do que isso?
O desafio do destino não é trazer mais pessoas para Foz. A cidade já recebe milhões de visitantes. O desafio é fazer com que esses visitantes conheçam, valorizem e compartilhem aquilo que torna Foz um destino único no mundo.
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Garon Piceli é diretor de Marketing da Loumar Turismo e editor do Portal Clickfoz


