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qua, 01 de abr 2026

Caos na fronteira: protesto causa 5 km de congestionamento no acesso ao Paraguai

Manifestação de freteiros paraguaios trava a BR-277 nesta sexta-feira e expõe impasse sobre o futuro do transporte de cargas menores na região.

Quem tentou cruzar a fronteira entre Brasil e Paraguai pela Ponte Internacional da Amizade na manhã desta sexta-feira (14) enfrentou uma verdadeira prova de paciência. Por volta das 8h, o congestionamento no sentido Foz do Iguaçu chegava próximo ao trevo da Avenida Costa e Silva.

O motivo da lentidão foi um protesto organizado pela Associação de Despachos Menores, que reúne pequenos freteiros paraguaios. Eles temem ficar de fora do acordo que regula o transporte de cargas entre os dois países. Hoje, esse regime simplificado permite a operação de pequenos e médios fretes.

O que está em jogo

A tensão aumentou depois que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) do Brasil e a Dirección Nacional de Transporte (Dinatran) do Paraguai avançaram em um acordo que exclui caminhões de porte médio do regime de transporte fronteiriço.

Se a medida entrar em vigor, o trânsito desses veículos pela Ponte da Amizade pode terminar no próximo ano.

Cerca de 700 motoristas paraguaios que transportam materiais de construção no chamado “despacho menor” seriam diretamente afetados.

Reação dos transportadores

O presidente da Asociación de Transporte de Carga de Despachos Menores, Ever Rodríguez, afirma que o setor vive apreensão.

“Estamos por perder nosso trabalho. O importador menor vai ficar fora da circulação. Vai terminar o despacho menor. Uma nova norma nos deixa automaticamente fora, e esse é o reclamo de todos os companheiros”, disse.

Rodríguez afirma que a categoria está disposta a endurecer o movimento, inclusive com bloqueio da ponte, caso não haja avanço nas negociações. Ele reforça que os transportadores não foram incluídos nas conversas entre as autoridades.

“Dizem que estamos fora do Acordo sobre Transporte Internacional Terrestre (ATIT), mas estamos habilitados pela Dinatran. Cumprimos a Lei 2.430, que regula o despacho menor. Entramos na aduana com um código de barras que substitui o documento de transporte fronteiriço”, afirmou.

Clima tenso também no Brasil

O impasse mobilizou autoridades brasileiras. O tema foi debatido em audiência pública na Câmara de Deputados, com participação da ANTT, representantes municipais, empresários e líderes do setor de transporte de Foz do Iguaçu.

Autoridades brasileiras também alertam que muitos transportadores vêm usando indevidamente o acordo assinado em 2017, que autoriza apenas o transporte de produtos de subsistência familiar entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este. O tratado, de caráter humanitário, estaria sendo usado para transportar materiais de construção, como gesso e mármore — itens que não se enquadram como “subsistência”.

Enquanto isso, transportadores paraguaios se concentraram na aduana pedindo mediação. O receio é que centenas de famílias fiquem sem renda.

ACIFI divulga nota de esclarecimento

No fim da manhã desta sexta-feira, a ACIFI (Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu) divulgou uma nota pública sobre o caso. A entidade, com 73 anos de atuação e mais de 2.400 empresas associadas, afirmou que não foi convidada para a audiência em Brasília e criticou a falta de debate amplo sobre a exportação a menor.

A nota destaca:

1. Debate restrito

A audiência de 11 de novembro tratou apenas da exportação a menor entre Brasil e Paraguai. Para a ACIFI, isso deixou de fora pontos relevantes do sistema exportador da região.

2. Atividade regulamentada há mais de 30 anos

A entidade lembra que, desde 2014, a modalidade opera com base no Decreto nº 2.430, na Resolução 285/2017 e em normas da OMC e da Receita Federal. O trabalho de pequenos importadores, afirma, movimenta a economia da fronteira.

3. Sem perda tributária

Segundo a nota, é incorreto afirmar que existe prejuízo tributário. As exportações seguem a legislação e são desoneradas pela Lei Kandir.

4. Operação permitida a veículos brasileiros

A ACIFI contesta a alegação de que caminhões brasileiros não podem operar nessa modalidade. A legislação, diz a entidade, permite a operação a veículos de ambos os países.

5. Volume real de viagens

Cada transportador realiza, em média, uma viagem por dia — e não cinco, como foi dito na audiência.

6. Defesa da fiscalização

A entidade afirma apoiar a fiscalização, mas rejeita generalizações baseadas em casos isolados.

No encerramento, a ACIFI reforça estar aberta ao diálogo para buscar soluções equilibradas para a região trinacional, conforme prevê o Acordo sobre Localidades Fronteiriças Vinculadas, no âmbito do Mercosul.

Prazos e próximos passos

A ANTT informou que Brasil e Paraguai têm até 16 de março de 2026 para firmar um novo acordo bilateral. Se não houver consenso, os caminhões de porte médio serão automaticamente proibidos de transportar cargas entre os países. O comércio seguirá, mas sob regras internacionais.

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Nesta semana, a redação do Portal Clickfoz foi procurada pela assessoria de imprensa da Riachuelo (Grupo Guararapes). O motivo: um pedido de correção em nossas matérias sobre investimentos brasileiros no Paraguai. Segundo a nota extra-oficial enviada, a Riachuelo — e sua controladora, a Guararapes — não possuem e nunca possuíram operações fabris no Paraguai, mantendo apenas “negócios pontuais” com a empresa paraguaia Texcin.

Atendemos prontamente ao pedido de errata, prezando pelo espaço da empresa. No entanto, o “apagão” logístico sugerido pela assessoria esbarra em um arquivo histórico robusto, fartamente documentado pela imprensa nacional e pelo próprio Governo do Paraguai.

O “Made in Paraguai” que virou manchete

Em 10 de outubro de 2015, o jornal O Globo (republicado pelo portal do Senado Federal) estampava: “Made in Paraguai: Empresas brasileiras aproveitam benefício fiscal e custo menor do trabalho para abrir fábricas no país”.

Na foto principal da reportagem, um registro difícil de ignorar: o então presidente do Paraguai, Horácio Cartes, aparece ao lado de Flávio Rocha, então presidente do Grupo Guararapes (e atual Presidente do Conselho de Administração). A legenda era clara: “Parceria. O presidente do Paraguai e Flávio Rocha inauguram nova fábrica”.

Publicação de “O Globo” era ilustrada por foto onde o então presidente do Paraguai, Horácio Cartes, e o então CEO do Grupo Guararapes, Flávio Rocha, inauguravam fábrica da Texcin. Foto: Reprodução/Agência O GLOBO.

Naquela ocasião, o próprio Flávio Rocha foi enfático ao descrever a operação ao jornal:

“Mandamos para lá parte do maquinário da fábrica de Fortaleza. Enviamos tecidos e moldes. Nosso parceiro costura as roupas e fornece para nossas lojas no Brasil. O Paraguai tem o custo chinês, com o transit time de Santa Catarina”, afirmou Rocha em 2015.

Jornal paraguaio HOY também repercutiu matéria publicada em “O Globo”. Foto: Reprodução.

US$ 5 milhões e o “Custo Chinês” na fronteira

A ligação entre o grupo brasileiro e a Texcin não nasceu de um contrato casual. A planta começou a operar em agosto de 2015 com um investimento divulgado de US$ 5 milhões vinculado ao grupo brasileiro, 150 trabalhadores iniciais e uma meta de produção de 65 mil peças por mês.

Na época, o cenário era de “febre” pelas maquiladoras. O Paraguai oferecia (e ainda oferece) energia 65% mais barata, imposto de apenas 1% na exportação e custo de mão de obra 50% menor que o brasileiro. Era a estratégia perfeita para enfrentar a concorrência asiática.

Mudança de estratégia ou de discurso?

Funcionários do Grupo Texcin, posam pra foto na frente da planta fabril na cidade de Mariano Roque Alonso. Foto: Arquivo das redes sociais.

Atualmente, o Grupo Guararapes é liderado pelo CEO André Farber, que foca na digitalização e novas estratégias de mercado, incluindo a recente mudança na nomenclatura de pregão e ticker na B3, deixando Guararapes Confecções (GUAR3) e passando a se chamar Riachuelo sob o código RIAA3. Contudo, a tentativa de classificar a relação com a Texcin como meramente “pontual” soa contraditória para quem, há menos de uma década, inaugurava a planta com pompa oficial e transferia maquinário pesado do Ceará para solo paraguaio.

A Riachuelo pode não ter o título de propriedade do imóvel onde funciona a Texcin, mas o investimento, a transferência de tecnologia e a dependência logística narrada pelo seu principal porta-voz em 2015 desenham um cenário muito mais profundo do que uma simples compra de estoque.

A pergunta que fica é: Por que, em 2026, a gigante do varejo faz questão de se distanciar de uma operação que já foi motivo de orgulho e exemplo de eficiência logística para o mercado brasileiro? Se a Riachuelo não possui a planta, ela certamente investiu como se tivesse — e colheu os lucros dessa estratégia por anos.

 

 

Foto em destaque: Reprodução/Agência O Globo

Pela primeira vez na história, as Américas receberão o encontro mundial da Organização das Nações Unidas (ONU) voltado à coordenação internacional de busca e resgate. O destino escolhido foi Foz do Iguaçu, que sediará o evento entre os dias 4 e 11 de julho de 2026.

O encontro reúne, a cada cinco anos, representantes dos 90 países que integram o Grupo Consultivo Internacional de Busca e Resgate (INSARAG), vinculado ao escritório da ONU para Assuntos Humanitários (OCHA). A organização no Brasil ficará a cargo do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), com apoio do Itamaraty e da Defesa Civil Nacional.

A “Declaração de Foz do Iguaçu”

O evento é considerado a instância máxima de estratégia do INSARAG. O principal objetivo das delegações será redigir a Declaração de Foz do Iguaçu, documento que estabelecerá as metas e prioridades globais da rede para o quinquênio seguinte.

Os debates focarão na padronização de protocolos para desastres naturais — como terremotos e inundações — e no fortalecimento da cooperação entre nações diante do aumento de eventos climáticos extremos.

Protagonismo do Paraná

A escolha de Foz do Iguaçu é um reconhecimento ao trabalho de elite do Corpo de Bombeiros do Paraná. “Os olhos do mundo já estão voltados para o Paraná no que se refere à ajuda humanitária”, ressaltou o comandante-geral do CBMPR, coronel Antonio Geraldo Hiller Lino.

O anúncio consolida um movimento que começou em 2025, quando o estado sediou a reunião regional do grupo. Atualmente, os bombeiros do Paraná, São Paulo e Minas Gerais trabalham em conjunto para formar a primeira equipe INSARAG “pesada” da América Latina, capacitada para atuar em qualquer grande catástrofe global sob a bandeira da ONU.

Histórico do Evento

Foz do Iguaçu entra para um seleto grupo de sedes mundiais. As edições anteriores do INSARAG Global Meeting ocorreram em:

  • 2010: Kobe (Japão)
  • 2015: Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos)
  • 2021: Varsóvia (Polônia)
  • 2026: Foz do Iguaçu (Brasil)

 

 

Fotos: Agência Brasileira de Cooperação/Divulgação AEN

O Governo do Paraná confirmou a adesão ao programa da União para redução da carga tributária sobre o óleo diesel. A medida, anunciada pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior, busca frear a volatilidade dos preços, que subiram 22,53% em todo o Brasil desde o início dos recentes conflitos no Oriente Médio, segundo dados da ANP.

O modelo proposto prevê um subsídio total de R$ 1,20 por litro de diesel. Esse valor será dividido igualmente: a União arca com R$ 0,60 e o Estado com outros R$ 0,60. A adesão foi oficializada após debate técnico no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).

Impacto nos cofres e no bolso

Como o Paraná é o terceiro maior importador de diesel do país (com média de 2 bilhões de litros ao ano), a renúncia fiscal será significativa. A Secretaria da Fazenda (Sefa) estima um impacto de R$ 77,5 milhões por mês aos cofres paranaenses, totalizando R$ 155 milhões no bimestre de vigência da medida.

“O Paraná mantém seu compromisso com a preservação da atividade econômica e proteção do povo paranaense”, afirmou o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara. A ideia é garantir o abastecimento e aliviar toda a cadeia produtiva, que depende do combustível para o transporte de cargas e passageiros.

Por que a redução é urgente?

A alta do diesel impacta diretamente o bolso da população, pois encarece o frete de alimentos, produtos de consumo e o valor das passagens de ônibus. Com a redução de R$ 1,20 no litro, o governo espera estabilizar os preços nas bombas e evitar novos repasses ao consumidor final enquanto durar a instabilidade internacional.

A medida entra em vigor a partir da edição da Medida Provisória pelo Governo Federal, com validade inicial de 60 dias.

 

 

Foto em destaque: Ari Dias/Divulgação AEN

A Prefeitura de Foz do Iguaçu e a Unioeste assinaram, nesta segunda-feira (30), um convênio estratégico para fortalecer o atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A parceria viabiliza a criação de uma pós-graduação em Enfermagem em Saúde Pública, que colocará 40 novos profissionais para atuar diretamente na rede municipal enquanto se especializam.

O modelo combina 30 horas semanais de atividades práticas nas 28 UBSs da cidade com aulas teóricas aos sábados. Os selecionados receberão bolsas custeadas pelo município, permitindo que enfermeiros com até três anos de formação entrem no mercado de trabalho já com foco na saúde da comunidade.

Reforço sem aumento de gastos

Para o prefeito General Silva e Luna, a cooperação é essencial para agilizar o atendimento à população. “Atende a uma necessidade crescente na atenção primária e qualifica nossos profissionais. Ganhamos todos”, afirmou.

O secretário de Saúde, Fabio de Mello, explicou que o projeto foi viabilizado por meio de um remanejamento interno de recursos, sem gerar novas despesas para os cofres públicos. “É investir melhor o dinheiro que já temos para colocar novos profissionais na rede que hoje não estão lá”, ressaltou.

Como vai funcionar a seleção:

  • Vagas: 40 para enfermeiros (até 3 anos de formado);
  • Edital: Previsão de lançamento para o início de abril;
  • Inscrições: Prazo de 30 dias após o lançamento do edital;
  • Seleção: Provas e entrevistas coordenadas pela Unioeste;
  • Início das atividades: Expectativa para junho de 2026;
  • Duração: 2 anos de especialização com supervisão acadêmica.

 

Para o diretor-geral da Unioeste, Sergio Moacir Fabriz, a iniciativa cumpre o papel social da universidade. Além do atendimento, os alunos desenvolverão pesquisas científicas focadas na melhoria dos processos internos das unidades básicas de Foz.

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