A situação da Tríplice Fronteira em junho: aberturas com cuidado e turismo sofrendo

Até a normalização das atividades nos entornos de Foz de Iguaçu, muitas águas ainda vão rolar…


A volta do turismo em Foz do Iguaçu durante a data de aniversário da cidade vem sido saudada, por um lado, e temida por outro. Apesar do alívio relativo do comércio e dos serviços regionais, a cautela promete ser redobrada para não prejudicar a população nem a estrutura de saúde local em meio ao surto da covid-19.

O Parque Nacional do Iguaçu volta à atividade de maneira restrita e com alterações de funcionamento. O local deve operar com um máximo de 350 visitantes simultâneos por hora e os ingressos serão vendidos exclusivamente online, promovendo agendamento prévio de dia e de horário.

Outras atrações da cidade, como a Usina Itaipu Binacional, serão reabertas apenas parcialmente. Os grandes eventos municipais têm previsão de voltar apenas em setembro. A testagem da doença será limitada entre os visitantes, direcionada àqueles que manifestem sintomas da covid-19 durante a estadia na cidade ou até 14 dias antes da chegada.

Também serão incorporados controles para conter o contágio no município: uso de máscaras obrigatório entre visitantes e empregados de hotéis e atrações turísticas, higienização das mãos e distanciamento social.

A retomada promete ser gradual, como tem sido em diversos outros lugares do mundo. Numa região em que o turismo exerce uma função econômica tão presente, o impacto se sente forte entre os empresários e a população.

O trânsito local também está prejudicado: a região da Tríplice Fronteira segue sob intenso controle desde meados de maio, seja na divisa com a Argentina ou com o Paraguai.

Paraguai
O Paraguai tem mantido uma estrita política de confinamento e restrição de atividade econômica para conter o avanço da covid-19: estrangeiros não residentes estão proibidos de adentrar o país desde 16 de março.

O país impôs um confinamento estrito à população e aos empreendimentos. Porém, desde 25 de maio, cerca de 80% do comércio foi aberto com menos restrições, mediante adoção de medidas de cautela para conter o avanço da doença.

Do ponto de vista turístico, atrações apelativas como restaurantes e cassinos são os empreendimentos que mais têm que se adaptar à nova rotina de cuidados especiais.

Se Las Vegas está sofrendo com a pandemia e a lenta reabertura, motivando uma reportagem extensa do New York Times sobre o assunto, no nosso vizinho não tem como ser diferente.

No Brasil o jogo online impera, já que não é possível ter cassinos físicos, e a atividade não parou de funcionar. Quem quiser jogar pode conferir a resenha do guia-cassino.com para saber onde é melhor abrir uma conta e jogar. Assim não existem surpresas na hora de compartilhar dados e fazer saques.

Mas no Paraguai há cassinos e resorts de entretenimento que precisam de movimento, gente e interação. O buraco é mais embaixo

Em declaração de 9 de junho, o Presidente paraguaio Mario Abdo Benítez se pronunciou otimista quanto à evolução da doença no país. A depender da redução na quantidade de ocorrências da doença no fim de semana vindouro, os paraguaios poderão passar à terceira fase da reabertura de atividades na segunda-feira, dia 15.

A atividade econômica pujante das regiões de fronteira do Paraguai é uma vantagem em situações convencionais. Porém, torna-se um problema na atual conjuntura. O departamento do Alto Paraná, onde fica Ciudad del Este, é o terceiro no país com mais ocorrências de doentes por covid-19: são 77 casos de contágio até o momento.

Por outro lado, indivíduos insatisfeitos com a paralisação econômica organizaram “buzinaços” de veículos no domingo, dia 7. O movimento era pela reativação das atividades nas cidades fronteiriças de Encarnación (junto à Argentina), Ciudad del Este, Salto del Guairá e Pedro Juan Caballero (as três junto ao Brasil).

Argentina
A fronteira Brasil-Argentina está fechada desde 15 de maio, ainda sem perspectiva de reabertura. A exceção é feita a caminhões de exportação de produtos brasileiros, que seguem passando para o lado platino.

A operação montada na fronteira entre os dois países engloba não apenas um controle sanitário, mas também autoridades de segurança para coibir as atividades ilegais na região aduaneira. No entanto, a fronteira compartilhada de 1,2 mil quilômetro entre Brasil e Argentina dificulta o monitoramento.

Uma estiagem no Rio Uruguai também agrava a dificuldade em controlar o trânsito entre os países. A fronteira compartilhada fluvial entre os dois países é ampla, separando o estado argentino de Misiones dos estados brasileiros de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.

Internamente, a retomada de atividades ainda parece distante. O ministro da Educação Nicolás Trotta revelou recentemente que a volta às aulas deve acontecer de modo escalonado.

A Argentina registrou uma quantidade recorde de mortes de 29 pacientes de covid-19 em um dia em 8 de junho. Em 9 de junho, o país registrava 23.620 casos da doença e 698 mortes. A região mais afetada era Buenos Aires, com 8.700 casos confirmados e 273 mortes. Os comércios retomam as atividades gradualmente desde 24 de maio. Foram dois meses de restrição estrita.

Por isso, pensar em viagens agora pode ser arrojado demais, já que pode haver problemas e riscos sérios relacionados a saúde. A região da tríplice fronteira pode sentir o COVID de forma mais impactante nas contas.