Trabalhadores que atuam no transporte diário entre o Brasil e o Paraguai — incluindo mototaxistas, motoristas de aplicativo e compristas — realizaram uma manifestação ao meio-dia desta quarta-feira (19) em frente à sede da Receita Federal, na Avenida Paraná, em Foz do Iguaçu. O protesto questionou o aumento do rigor na fiscalização de ônibus que partem do município, a mudança nos trajetos rodoviários e os prejuízos relatados pela categoria. Entre as pautas, os manifestantes cobraram maior transparência nas apreensões, a criação de um sistema público de consulta e a revisão da cota de compras por via terrestre.

Em nota oficial emitida nesta quarta-feira, a Alfândega da Receita Federal do Brasil em Foz do Iguaçu esclareceu que as medidas voltadas ao transporte rodoviário de passageiros atendem a um plano de combate ao transporte irregular de mercadorias. Segundo o órgão, a prática vinha comprometendo o funcionamento da rodoviária e afetando a segurança de turistas e moradores.
Diálogo institucional e apoio do setor produtivo
A Receita Federal enfatizou que as ações foram precedidas por diálogo com órgãos públicos e entidades do setor produtivo local. Entidades representativas do comércio e do turismo — como a Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (ACIFI), o Conselho Municipal de Turismo e o Conselho Municipal de Trânsito — manifestaram apoio às intervenções, reconhecendo a necessidade de restaurar a segurança e incentivar o uso regular do transporte rodoviário.
O órgão ressaltou ainda que as medidas possuem fundamentação jurídica na Zona de Vigilância Aduaneira e não têm como objetivo regular os serviços de transporte de passageiros — atribuição mantida com as agências e órgãos de trânsito competentes.
Impacto no desenvolvimento e na segurança pública
Na nota à imprensa, a Receita Federal destacou a relação entre o fortalecimento da fiscalização de fronteira e o avanço dos indicadores de segurança no município ao longo das últimas décadas. De acordo com os dados apresentados:
- Redução de homicídios: Em 2005, Foz do Iguaçu registrou o ápice da violência, com 285 homicídios (106 mortes por 100 mil habitantes). A taxa caiu para 28,9 mortes por 100 mil habitantes no último ano.
- Estímulo ao turismo e comércio: Segundo o órgão, a queda nos índices de violência foi fundamental para consolidar o município como destino nacional de turismo, eventos e logística internacional.
A instituição informou que os primeiros dados pós-fiscalização já mostram uma tendência de queda no transporte irregular de mercadorias. O órgão garantiu que manterá o acompanhamento contínuo dos resultados e a abertura de canal de diálogo com a sociedade civil para eventuais readequações dos procedimentos.
Foto em destaque: Arquivo das redes sociais

