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sex, 03 de abr 2026

Racismo não é brincadeira: um alerta aos turistas argentinos no Brasil

Decreto de prisão no Rio expõe o choque entre a naturalização do racismo na Argentina e a legislação brasileira.

A Justiça do Rio de Janeiro decidiu ir além das advertências. Na noite desta quinta-feira, 05, aceitou a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e decretou a prisão preventiva da turista argentina Agostina Paez, advogada e influenciadora, acusada de injúria racial contra funcionários de um bar em Ipanema, na zona sul da capital fluminense.

O caso ocorreu no dia 14 de janeiro. Após discordar do valor da conta, Agostina ofendeu um funcionário chamando-o de “negro” de forma pejorativa. Em seguida, dirigiu-se a outra funcionária chamando-a de “mono” — macaco, em espanhol — e imitou gestos do animal. Mesmo advertida de que a conduta configurava crime no Brasil, insistiu nas ofensas, repetindo os ataques na calçada do bar contra outros trabalhadores.

A Justiça rejeitou a tese da defesa, de que se tratavam de “brincadeiras”. As declarações das vítimas, os relatos de testemunhas e as imagens do circuito interno do estabelecimento deixaram claro o caráter ofensivo e discriminatório da ação. O crime de racismo, previsto na Lei nº 7.716/89, prevê pena de dois a cinco anos de prisão.

Mas este episódio não se encerra no âmbito policial. Ele revela um problema mais profundo.

Quando o racismo é normalizado

Família de afro-argentinos vendendo empanadas em Buenos Aires, 1937. Foto: Arquivo geral da Argentina.

Na Argentina — e aqui preciso eliminar a cidade de Puerto Iguazú da “Argentina”, já que na cidade, vizinha a Foz do Iguaçu, recebe muito bem os brasileiros, à ponto de nem parecer fazer parte do restante do país — , chamar alguém de “negro” como insulto ainda é tratado, em muitos contextos, como algo cotidiano. Não gera reação institucional, não produz sanção criminal e raramente provoca reflexão coletiva. O racismo, ali, é frequentemente visível para quem sofre e invisível para quem pratica.

Esse comportamento não nasce do acaso. O país construiu, sobretudo a partir do século XIX, uma identidade nacional baseada no mito da Argentina branca e europeia, apagando sistematicamente suas populações afrodescendentes e indígenas. O resultado foi uma sociedade que nega suas próprias origens e naturaliza práticas discriminatórias como se fossem traços culturais inofensivos.

A história mostra que esse apagamento foi ativo. Houve guerras, exclusões, políticas de branqueamento e uma produção intelectual que colocou a herança europeia como sinônimo de civilização, relegando negros e indígenas ao papel da barbárie. A miscigenação existiu, mas a memória foi empurrada para debaixo do tapete.

A fronteira não protege o preconceito

O problema começa quando essa naturalização atravessa fronteiras. O Brasil tem falhas graves no enfrentamento ao racismo, mas construiu, por pressão histórica e social, um arcabouço legal que trata o tema como crime. Aqui, não há espaço jurídico para relativização, ironia ou tentativa de justificar ofensa racial como mal-entendido cultural.

Agostina Paez foi alertada no local. Insistiu. Pagou o preço legal dessa escolha.

O caso serve como aviso claro aos turistas argentinos — e a qualquer estrangeiro: o que é tolerado socialmente em seu país não será automaticamente tolerado no Brasil. Racismo não é detalhe, não é folclore e não é parte do “jeito latino”. É crime.

Um recado necessário

Reconhecer a própria diversidade é um processo difícil. Envolve admitir que a narrativa da branquitude absoluta nunca foi verdadeira. A herança afro existe na Argentina, ainda que ocultada pela história oficial, pela estética dominante e pelo silêncio institucional.

O Brasil não será o espaço onde esse silêncio continuará funcionando.

A decisão da Justiça do Rio não é simbólica. É pedagógica. Mostra que, em território brasileiro, o racismo tem consequência. E que atravessar a fronteira não significa escapar da história — nem da lei.

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O modelo de preenchimento manual do Imposto de Renda (IR) pode estar com os dias contados. O Ministério da Fazenda apresentou, nesta semana, uma proposta estrutural para que a Receita Federal automatize completamente o processo. A ideia é que o cidadão não precise mais “declarar”, mas sim apenas conferir e validar as informações já reunidas pelo fisco.

O anúncio foi feito pelo secretário-executivo do ministério, Dario Durigan, durante reunião ministerial com o presidente Lula. Segundo Durigan, o objetivo é aproveitar a alta digitalização do Brasil para eliminar a necessidade de inserir dados um a um no programa da Receita.

A evolução da “Pré-Preenchida”

Atualmente, cerca de 60% dos contribuintes já utilizam a declaração pré-preenchida, que puxa dados de fontes como fontes pagadoras e registros de imóveis. A nova proposta da Fazenda quer ir além:

  • Integração total: Cruzamento automático de dados bancários, planos de saúde, investimentos e registros de empresas.
  • Validação simples: O contribuinte entra no sistema, revisa os valores e dá o “ok” final.
  • Menos erros: A automação reduz as chances de cair na malha fina por erros de digitação ou esquecimento de informes.

Foco na Inovação e Menos Burocracia

Para o governo, a mudança é um passo essencial para tornar o Brasil um ambiente mais favorável à inovação e menos travado por processos burocráticos. “Como temos um país informatizado, essas informações vão sendo colocadas no sistema, e a pessoa precisa validar simplesmente”, defendeu Durigan.

Mudança será gradual

Apesar do entusiasmo do Ministério da Fazenda, a transição deve ocorrer por etapas. Hoje, a Receita Federal já amplia anualmente o alcance da declaração pré-preenchida, mas ainda orienta que o contribuinte confira tudo minuciosamente, pois os dados dependem de informações enviadas por terceiros (como bancos e hospitais).

A meta é que, em um futuro próximo, o envio manual deixe de ser a regra para se tornar uma exceção absoluta.

 

 

Foto em destaque: José Cruz/Divulgação Agência Brasil

Quem pretende manter as tradições da Semana Santa em 2026 encontrará um cenário de extremos nas prateleiras de Foz do Iguaçu. O mais recente levantamento do Centro de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (Cepecon), da UNILA, revela que o tradicional bacalhau em posta disparou 110,70% em comparação ao mesmo período de 2025. Em contrapartida, a tilápia surge como a grande aliada do orçamento familiar, com uma redução de 44,89%.

A pesquisa reflete o comportamento de consumo para famílias com renda entre 1 e 5 salários mínimos, justamente a fatia da população mais sensível às oscilações de preços.

Vilões e Alívios no Carrinho de Páscoa

Além do peixe, outros itens típicos da época apresentam variações que exigem atenção do consumidor:

  • Chocolates e Doces: O chocolate ao leite de 1 quilo disparou 58,26%, seguido pelas frutas cristalizadas (50,63%) e gotas de chocolate (26,83%). O alívio veio nas caixas de bombom, com quedas de até 16,08%, e nos ovos infantis, que subiram apenas 6,38%.
  • Azeite de Oliva: Após um longo período de altas, o item registra queda de 31,69%, tornando-se uma opção mais acessível para temperar os pratos da estação.

Cesta Básica: Inflação de 7,4% no Trimestre

Para além dos itens sazonais, o boletim do IPC-Foz traz um dado preocupante: a cesta básica acumula alta de 7,4% nos primeiros três meses de 2026.

Os tubérculos, raízes e legumes foram os grandes vilões, com variação de 39,4%. A batata-inglesa, item essencial na mesa do iguaçuense, encareceu 44,3% no trimestre. Segundo os pesquisadores, as fortes chuvas nos polos produtores do Sul do país dificultaram a colheita e reduziram a oferta no mercado. Já o grupo de leite e derivados registrou aumento de 30,7%.

O Desafio da Proteína: Carnes e Ovos

Nas carnes, o cenário é misto. Enquanto cortes nobres como contrafilé (18,9%) e coxão mole (16,4%) subiram, opções como músculo e lagarto ficaram mais baratas (14,3% e 19,6%, respectivamente).

Já os ovos de galinha, tradicional alternativa proteica para a Quaresma, subiram 16,9%. O motivo vai além da alta demanda: as temperaturas extremas no início do ano causaram estresse térmico nas aves, resultando em maior mortalidade e queda na produtividade (ovos menores e em menor quantidade), limitando a oferta justamente no pico de consumo.

Confira o Boletim Completo: Para acessar todos os dados detalhados da pesquisa e planejar suas compras, o Cepecon disponibiliza o documento na íntegra através do link: portal.unila.edu.br/boletimv10n3MAR.pdf

Dica do Clickfoz: Com a tilápia quase pela metade do preço e o azeite mais barato, o tradicional “Bacalhau à Gomes de Sá” pode dar lugar a um belo filé de tilápia assado com ervas, garantindo a tradição sem estourar o orçamento do mês.

 

 

Fotos: Arquivo de banco de imagens (Freepik)

O Parque Nacional do Iguaçu segue quebrando barreiras em 2026. Em março, a unidade de conservação recebeu 168.698 visitantes de 129 nacionalidades diferentes, consolidando-se como o melhor mês de março em toda a história do atrativo.

O feito é ainda mais relevante quando comparado a 2025: no ano passado, março contou com o impulso do feriado de Carnaval. Em 2026, mesmo sem datas prolongadas, o fluxo superou todas as expectativas. No acumulado do primeiro trimestre, o parque já soma 590.510 pessoas, um salto de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Uma Maratona Global

As Cataratas reafirmam sua força como destino internacional. Embora os brasileiros liderem o ranking (83.725 visitantes), o “pódio” de março mostra a diversidade do público:

  • 1º Brasil: 83.725
  • 2º Argentina: 25.039
  • 3º Alemanha: 7.239

 

Países como Estados Unidos, Paraguai, China e França também figuram entre os dez principais emissores, reforçando o título de uma das Sete Maravilhas Mundiais da Natureza.

Paraná e São Paulo no Topo

Entre os turistas brasileiros, o Paraná lidera com 25.707 visitantes, seguido de perto por São Paulo (19.598). Santa Catarina, Minas Gerais e Rio de Janeiro completam o grupo dos cinco estados que mais enviaram viajantes para a terra das cataratas no último mês.

Programação de Páscoa e Abril

Para quem planeja visitar o parque agora em abril, a Urbia+Cataratas preparou uma operação especial para o feriado de Páscoa:

  • Horário Especial: Entre os dias 3 e 5 de abril, o parque abrirá mais cedo, às 8h.
  • Amanhecer nas Cataratas: A partir deste mês, a experiência exclusiva de ver o sol nascer nas quedas tem embarque às 6h, incluindo café da manhã no Restaurante Porto Canoas.

 

Dica do Clickfoz: Para aproveitar o recorde de visitação sem estresse, compre seu ingresso antecipadamente e priorize os primeiros horários da manhã.

 

 

Fotos: Divulgação Urbia+Cataratas/Eagle Eye Company

A empresária Dalia López (55), que estava foragida da justiça paraguaia há seis anos, foi detida na manhã desta quinta-feira (2) durante uma operação policial em Assunção. Ela foi localizada em uma residência de luxo no bairro Herrera, após um intenso trabalho de inteligência do Departamento contra o Tráfico de Armas e da Direção contra o Crime Organizado.

A prisão ocorreu por volta das 11h20. Segundo o comissário Luis Benítez, a polícia montou vigilância no local durante toda a noite antes de efetuar o cumprimento do mandado de busca e apreensão. Dalia não ofereceu resistência e, no momento da abordagem, estava em seu quarto preparando malas para uma possível transferência.

Apreensão de montante milionário

O que mais chamou a atenção das autoridades durante a captura foi a grande quantidade de dinheiro vivo que a empresária mantinha em sua posse. Relatos preliminares da polícia indicam que Dalia López portava:

  • USD 220.000 (aproximadamente R$ 1,1 milhão);
  • Gs. 300.000.000 (cerca de R$ 200 mil).

O Caso Ronaldinho

Dalia López é apontada pelas autoridades paraguaias como a principal responsável por fornecer documentos de conteúdo falso ao ex-jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho e seu irmão, Assis, em 2020. O episódio levou à prisão da dupla em solo paraguaio na época, mas Dalia conseguiu escapar e permanecia com paradeiro desconhecido desde então.

Detalhes da Operação:

  • Local: Uma residência na rua Moisés Bertoni, curiosamente ao lado de uma unidade do Ministério Público.
  • Apreensões: Telefones celulares, documentos e uma grande quantia de dinheiro em espécie (dólares e guaranis).
  • Outras detenções: No local, também foram identificados um homem de 43 anos, apontado como parceiro da empresária, um motorista e uma funcionária doméstica.

 

A defesa da empresária alegou que ela está sob tratamento médico, versão reforçada pela grande quantidade de medicamentos encontrados em seu quarto. Dalia López agora está à disposição do Ministério Público, que deve determinar o local de sua reclusão nas próximas horas.

Caso em andamento

A prisão de Dalia López era uma das mais aguardadas pela justiça paraguaia nos últimos anos, dada a repercussão mundial que o caso Ronaldinho tomou. No momento da detenção, a empresária estava acompanhada de outras três pessoas, que também estão sob custódia para averiguação.

As autoridades paraguaias seguem no local da apreensão e mais dados oficiais são aguardados ao longo do dia. Dalia deve ser transferida ainda hoje para uma unidade prisional após os trâmites do Ministério Público.

 

 

Com informações: Policia Nacional do Paraguai
Fotos: Divulgação/Policia Nacional do Paraguai

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