Ganhar um Xiaomi SU7 Max — o carro elétrico que é um dos desejos globais do momento — deveria ser o ápice da sorte de qualquer turista. Para o rosarino Ulises Cammarata, vencedor da maior promoção da fronteira em 2025, o sonho se transformou em um “perrengue” internacional. O problema, no entanto, não está na chave entregue pela Cellshop, mas na intransigência burocrática e na carga tributária da Argentina, que impedem a entrada do veículo no país.
O carro que a burocracia “travou”

O esportivo elétrico, avaliado em cerca de US$ 45 mil, foi o prêmio de uma campanha que movimentou mais de 600 mil cupons digitais e culminou em uma festa com show internacional em Ciudad del Este. Mas, meses após a celebração, o carro continua parado em um estacionamento paraguaio.
O caso, que viralizou após relatos do jornal argentino “Diario Ahora Litoral”, de Santa Fé, evidencia como o sistema aduaneiro argentino — frequentemente criticado pela sua complexidade e altos custos de importação — consegue transformar uma conquista legítima em um pesadelo logístico. Ulises recebeu o prêmio, mas a burocracia de seu país de origem tornou o “presente” financeiramente inviável de ser legalizado.
Por que é tão difícil trazer um carro do Paraguai?
O “perrengue” de Ulises Cammarata na Argentina não é exclusividade dos nossos vizinhos; se o ganhador fosse brasileiro, o desafio seria proporcionalmente amargo. Entenda as barreiras que transformam um prêmio de luxo em um pesadelo burocrático:
- Na Argentina: O sistema de importação é extremamente rígido e utiliza impostos internos que podem dobrar o valor do veículo. Além disso, a obtenção de licenças de importação para pessoas físicas é um processo lento e, muitas vezes, indeferido pela Aduana.
- No Brasil: A legislação brasileira proíbe a importação de veículos usados, permitindo apenas unidades 0km ou com mais de 30 anos (coleção). Mesmo sendo um carro novo, o brasileiro precisaria arcar com o Imposto de Importação (35%), IPI, PIS, COFINS e ICMS, além de gastos com homologação no IBAMA e DENATRAN.
- O “Custo da Sorte”: Em ambos os países, o custo para legalizar um presente de US$ 45 mil (cerca de R$ 225 mil) pode ultrapassar o valor do próprio carro, tornando a “vitória” um prejuízo financeiro para quem não tem capital para o desembaraço.
- A Solução do Milhão: Diferente de um automóvel, o prêmio em dinheiro anunciado pela Cellshop para 2026 contorna essas barreiras físicas e homologações complexas, permitindo que o ganhador usufrua do valor sem precisar de um despachante aduaneiro.
A resposta estratégica: Dinheiro não para em barreira

A Cellshop, que não possui responsabilidade sobre as legislações vigentes em outros países, foi ágil em ler o cenário. Para evitar que o próximo ganhador enfrente o mesmo labirinto documental de Ulises, a empresa mudou radicalmente a estratégia para 2026.
Em vez de um bem de consumo sujeito às nuances das alfândegas (seja na Argentina ou no Brasil), a nova promoção “Você milionário com a Cellshop” vai sortear R$ 1 milhão em dinheiro. É a maior premiação já feita no comércio paraguaio, celebrando também a marca de 1 milhão de seguidores da loja no Instagram.
Como concorrer ao prêmio de 1 milhão (sem burocracia):
- Como concorrer: A cada US$ 300 em compras, o cliente recebe um cupom digital.
- Lojas válidas: Válido para compras nas lojas de Ciudad del Este, Assunção e Pedro Juan Caballero.
- Data do sorteio: O sorteio ocorrerá no último dia da Blue Friday 2026, em novembro.
Mais informações e regulamento completo estão disponíveis no site oficial da Cellshop.
O caso de Ulises é um lembrete amargo de que a integração do Mercosul muitas vezes para no balcão da aduana. Enquanto a Argentina (e muitas vezes o Brasil) impõe barreiras que sufocam o consumidor, o comércio de Ciudad del Este tenta atalhos criativos. Ao trocar o carro pelo dinheiro vivo, a Cellshop garante que o próximo vencedor tenha o prêmio na mão, e não apenas uma foto dele em um estacionamento estrangeiro.



