Na manhã desta sexta-feira, 4 de abril, profissionais do Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), da Itaipu Binacional, colocaram um colar de monitoramento em um lobo-guará macho. O animal estava sob cuidados veterinários desde 12 de março e será solto na natureza na próxima semana.
O resgate do lobo-guará foi possível graças à cooperação ágil entre diversas instituições dedicadas à fauna em Foz do Iguaçu. Participaram da ação a Itaipu, o projeto Onças do Iguaçu, o Eco Park Foz, o ICMBio e a Polícia Ambiental. O animal foi encontrado desidratado e visivelmente estressado na Avenida das Cataratas, uma das vias mais movimentadas da cidade.
Recuperação e preparação para soltura
Segundo o médico veterinário Pedro Teles, do RBV, o lobo-guará recebeu alimentação adequada, passou por exames e foi tratado com antiparasitários durante pouco mais de três semanas. Agora, está saudável e pronto para retornar ao seu habitat.
“Ele será solto no Oeste do Paraná, e vamos monitorar seus deslocamentos e comportamento com o colar”, explicou Teles.

O colar de monitoramento via satélite transmite informações a cada seis horas. Com o tempo, esse intervalo pode aumentar para preservar a bateria, cuja autonomia pode chegar a até 14 meses. O sistema permite acompanhar a rotina do animal em tempo real e até identificar sinais de alerta.
“A coleira tem sensores que indicam pouca movimentação, o que pode ser sinal de fraqueza ou fome. Em casos extremos, aciona um alerta de mortalidade”, detalhou Rogério Cunha de Paula, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), do ICMBio.

Além disso, a coleira é feita de material sintético hipoalergênico, projetado para o tamanho do pescoço do lobo. Leve e confortável, inclui uma faixa refletiva que ajuda a evitar atropelamentos em áreas urbanas ou rodovias.
A força da cooperação
A articulação entre as instituições foi decisiva para o sucesso do resgate. Yara Barros, coordenadora do projeto Onças do Iguaçu, foi a primeira a receber um vídeo com o animal, ainda à luz do dia, em um bairro da cidade. À noite, após ser informada pela Polícia Ambiental sobre a localização exata, acionou os parceiros para realizar o resgate.
Além da Itaipu, do projeto Onças do Iguaçu e da Polícia Ambiental, um veterinário do Eco Park Foz foi responsável pelo primeiro atendimento emergencial. O animal foi então levado ao RBV, onde recebeu tratamento completo.
“É fundamental valorizar o trabalho dos zoológicos, que resgatam, reabilitam e devolvem os animais à natureza. Quando não há condições de soltura, eles garantem os cuidados permanentes”, destacou Leandro Maotone, sócio do Eco Park.
Espécie ameaçada
Embora o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) pertença também ao bioma da Mata Atlântica, sua presença é mais comum no Cerrado e no Pantanal. Na região de Foz do Iguaçu, ele é cada vez mais raro. A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classifica a espécie como “vulnerável”.
A ação conjunta em Foz do Iguaçu reforça o papel das instituições na preservação da biodiversidade e na recuperação de espécies ameaçadas.
Fotos: Sara Cheida/Itaipu Binacional