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ter, 09 de jun 2026

Itaipu, 52 anos: segurança energética e transição no território

Diretor-geral brasileiro da Itaipu analisa os paralelos históricos entre a crise de fundação da usina e os desafios climáticos e geopolíticos atuais.

Por Enio Verri*

Quando Brasil e Paraguai assinaram o Tratado de Itaipu, in 1973, o mundo enfrentava uma das maiores crises energéticas do século XX. A alta abrupta do petróleo expôs a dependência dos combustíveis fósseis e deixou uma lição ainda atual: energia é soberania, desenvolvimento e segurança. Em meio àquele cenário de instabilidade, em 17 de maio de 1974, nascia oficialmente a Itaipu Binacional.

Cinco décadas depois, a geopolítica volta a pressionar o setor energético. A guerra no Oriente Médio, os ataques a estruturas estratégicas e as incertezas sobre rotas de abastecimento recolocaram o tema no centro do debate internacional. O Banco Mundial projeta alta de 24% nos preços da energia em 2026, o maior salto desde a invasão da Ucrânia pela Rússia. Segundo a Energy Information Administration (EIA), o Estreito de Ormuz concentrou, em 2024, cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia, volume equivalente a 20% do consumo global.

O paralelo histórico é inevitável. A crise do petróleo demonstrou, nos anos 1970, a importância de ampliar fontes estáveis de energia. A conjuntura atual reforça a necessidade de reduzir emissões, diversificar a matriz energética e proteger a população da volatilidade internacional. Nesse contexto, Itaipu mantém sua relevância estratégica ao combinar geração de energia limpa com investimentos voltados à transição energética.

Produção recorde e eficiência técnica

A contribuição da empresa começa na atividade desempenhada diariamente: gerar energia renovável, segura e competitiva para brasileiros e paraguaios. Em 5 de maio, a usina completou 42 anos de produção. Desde a entrada em operação da primeira unidade geradora, em 1984, Itaipu já ultrapassou 3,1 bilhões de megawatts-hora produzido e segue como a usina que mais gerou energia no mundo. Somente em 2025, a hidrelétrica produziu 72,8 milhões de MWh, abastecendo cerca de 7% do mercado brasileiro e 88% do consumo paraguaio.

Tais resultados são sustentados por uma operação técnica altamente eficiente. Itaipu possui 20 unidades geradoras, 14 mil MW de potência instalada e encerrou 2025 com disponibilidade de 96,29%, acima da meta de 94%. Em um sistema elétrico com participação crescente de fontes variáveis, como solar e eólica, a hidrelétrica preserva papel decisivo ao garantir estabilidade e segurança ao fornecimento de energia.

O Brasil possui hoje uma vantagem importante nesse cenário. Segundo o Balanço Energético Nacional 2025, a matriz elétrica brasileira alcançou 88,2% de renovabilidade em 2024. Eólica e solar já representam 24% da geração de eletricidade do país. O avanço dessas fontes amplia a necessidade de integração do sistema e de energia firme para atender a população nos períodos em que não há vento ou sol. Itaipu oferece diariamente esse suporte ao sistema elétrico nacional.

Inovação e desenvolvimento sustentável

Paralelamente à geração hidrelétrica, a empresa também investe em pesquisa e desenvolvimento de novas fontes energéticas, como hidrogênio verde, combustível sustentável de aviação (SAF), energia solar, biogás e biometano.

Entre os projetos em andamento está a primeira planta piloto do Brasil para produção de petróleo sintético a partir de biogás, instalada em Itaipu em parceria com instituições nacionais e internacionais. A unidade foi projetada para produzir combustível renovável voltado à aviação.

No meio rural, os investimentos igualmente produzem resultados concretos. Biodigestores transformam resíduos orgânicos em energia e fertilizantes, reduzem emissões e geram renda para produtores rurais. O processo também melhora o manejo ambiental das propriedades e fortalece a autonomia energética no campo.

Impacto no território e tarifas competitivas

A transição energética, porém, não se limita à produção de energia. A transformação precisa alcançar o território e produzir impactos concretos na vida da população. Desde 2023, Itaipu ampliou sua atuação prioritária para 434 municípios, sendo 399 no Paraná e 35 no sul de Mato Grosso do Sul. Os investimentos beneficiam cerca de 11 milhões de pessoas em uma área de 200 mil quilômetros quadrados, com ações em saneamento ambiental, manejo de água e solo, energia renovável, infraestrutura e obras comunitárias.

A preservação ambiental integra diretamente essa estratégia. A recuperação de nascentes, a conservação da Mata Atlântica, o esgotamento sanitário e a manutenção de estradas rurais contribuem para preservar a qualidade da água e reduzir o assoreamento dos rios, fortalecendo a segurança hídrica e protegendo o reservatório da usina.

A relevância estratégica de Itaipu também se reflete na competitividade da energia produzida pela empresa. Após a quitação da dívida histórica, in 2023, a tarifa caiu 36,6%, passando de US$ 27,86 para US$ 17,66 por kW/mês no período de 2024 a 2026.

Os efeitos dessa redução alcançam diretamente o consumidor brasileiro. Em 2026, no reajuste da Enel Rio, a energia de Itaipu teve custo médio de R$ 217/MWh, abaixo das usinas cotistas da Lei nº 12.783, de R$ 236,73/MWh, e muito inferior à média de compra das distribuidoras no mercado regulado, estimada pela Aneel em R$ 342,71/MWh.

A crise do petróleo marcou o mundo em que Itaipu nasceu. A crise climática e a instabilidade energética marcam o momento em que a empresa completa 52 anos. Em ambos os períodos, a resposta exige cooperação, planejamento, ciência e energia limpa. Itaipu segue estratégica porque garante segurança energética no presente e contribui para uma matriz renovável, diversificada e integrada para o futuro.

 

*Enio Verri é diretor-geral brasileiro da Itaipu, economista, mestre em Economia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e doutor em Integração da América Latina pela Universidade de São Paulo (USP).

 

Fotos: Rubens Fraulini/Itaipu Binacional

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Foz do Iguaçu recebe nesta quarta-feira, dia 10 de junho, a 3ª Reunião Ordinária do Comitê Interinstitucional de Turismo Religioso do Paraná de 2026. A atividade será realizada das 15h30 às 17h, no Rafain Palace Hotel & Convention. O encontro vai debater temas como as candidaturas das cidades para sediar o 9° Fórum Paranaense de Turismo Religioso e as demandas específicas de cada município.

O comitê, que é vinculado à Secretaria de Estado do Turismo (Setu-PR), atua na coordenação de políticas públicas, promoção de rotas de fé e profissionalização do segmento. Atualmente, o Paraná possui quase 500 atrativos religiosos mapeados. A última edição do fórum estadual ocorreu no início de abril, na cidade de Jacarezinho.

De acordo com o coordenador do comitê, Eliseu Rocha, o diálogo inter-religioso no Paraná tornou-se uma referência para o Brasil, consolidando o modelo de turismo focado na espiritualidade como motor de desenvolvimento econômico e geração de renda nas comunidades.

Integração com a programação do FITCataratas

A reunião do comitê antecede a abertura oficial da edição 2026 do FITCataratas (Festival Internacional de Turismo Cataratas), marcada para as 19h do mesmo dia. O festival, que se estende até o dia 12 de junho, reservou espaços exclusivos para que diferentes grupos religiosos apresentem suas tradições e práticas de fé.

A programação voltada ao turismo religioso no FITCataratas inclui:

  • Ordem do Caminho de Santiago: Realização do 38º Capítulo Extraordinário da entidade espanhola, com debates entre especialistas da América do Sul e da Europa sobre rotas de peregrinação.
  • Mesquita Omar Ibn Al-Khattab: O atrativo de Foz do Iguaçu, considerado a segunda maior mesquita da América Latina, contará com um estande próprio na feira.
  • Terreiro Asè Afin Lógunède: Espaço dedicado a representar a umbanda, exibindo elementos culturais, indumentárias e objetos litúrgicos dos saberes afro-brasileiros.

 

Potencial de geração de negócios na fronteira

Encontro em Foz do Iguaçu vai debater demandas municipais do turismo religioso. Foto: José Fernando Ogura/Arquivo AEN.

 

O FITCataratas consolida-se como um dos eventos mais completos do setor de turismo e negócios na América Latina. Como referência, a edição de 2025 mobilizou mais de 12 mil participantes, 1.300 marcas expostas e atraiu 43 caravanas nacionais e internacionais.

Simultaneamente ao festival principal, o público poderá acompanhar uma série de atividades complementares. Entre os destaques estão a Feira de Turismo e Negócios, as Rodadas de Negócios, o Salão do Vinho Argentino, o Hackatour Cataratas e o Fórum Internacional de Turismo do Iguassu.

 

 

Foto em destaque: Gilson Abreu/Arquivo AEN

Uma audiência pública vai apresentar para a comunidade de Foz do Iguaçu a proposta técnica do projeto do Viaduto do Trevo do Charrua. O encontro está marcado para a próxima terça-feira, dia 16 de junho de 2026, às 19h. O debate acontecerá no Auditório do Corpo de Bombeiros da Vila A, localizado na Avenida Paraná.

O Trevo do Charrua é considerado um dos pontos mais estratégicos para a mobilidade urbana do município. No passado, o local funcionava como uma importante ligação viária entre a região Central e a região Norte de Foz do Iguaçu.

O fechamento definitivo do trevo, realizado no fim de 2019, provocou impactos significativos na circulação de veículos e alterou a rotina dos motoristas. Atualmente, o intenso tráfego de caminhões pesados que circulam pela BR-277 agrava o problema na região, comprometendo a fluidez do trânsito e a segurança viária de motoristas e pedestres.

Espaço para debate e sugestões dos moradores

Durante a realização da audiência pública, a equipe técnica responsável pela obra detalhará a solução viária prevista para o local e abrirá espaço para esclarecer as dúvidas da população.

O encontro busca garantir a transparência do processo com os seguintes objetivos:

  • Participação social: Abrir espaço para manifestações de moradores, entidades de classe e instituições interessadas.
  • Coleta de contribuições: Recolher sugestões que sirvam de subsídio para o aperfeiçoamento final da proposta.
  • Fortalecimento do diálogo: Aproximar o poder público da sociedade civil organizada para definir as melhorias na infraestrutura urbana.

 

A prefeitura reforça que a participação da comunidade é fundamental para o aprimoramento do projeto. Todas as sugestões apresentadas serão avaliadas antes do início das etapas seguintes da obra.

Serviço

Audiência Pública – Projeto do Viaduto do Trevo do Charrua
Data: 16 de junho de 2026 (terça-feira)
Horário: 19h
Local: Auditório do Corpo de Bombeiros da Vila A – Av. Paraná, nº 5.725, Vila A.

 

O segundo dia do “Raízes Vivas – Encontro de Culturas Populares e Tradicionais” vai celebrar o aniversário de Foz do Iguaçu com uma imersão cultural especial. A programação do evento será dedicada aos sons, cantos e danças da costa caribenha colombiana.

A festividade está marcada para acontecer nesta quarta-feira, dia 10 de junho, a partir das 20h, no Sudacas Bar. A entrada para o público é totalmente franca.

A noite vai destacar duas expressões culturais da América Latina que carregam séculos de memória e representam o encontro histórico entre matrizes indígenas, africanas e populares: a Cumbia e o Bullerengue. Enquanto o Bullerengue resgata as tradicionais rodas de canto conduzidas por mulheres, a Cumbia revela as conexões que moldaram a identidade musical da região.

Atrações e integração latina

As apresentações artísticas vão promover o intercâmbio cultural na fronteira. O público iguaçuense e os turistas poderão acompanhar as seguintes atrações:

  • Trio Raízes: Responsável por conduzir parte da apresentação musical da noite.
  • Elenco Folclórico Latino-Americano: Coletivo multicultural formado por estudantes da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) vindos de diferentes países da região.

Os organizadores convidam toda a comunidade para celebrar o aniversário do município vivenciando de perto a riqueza das músicas e danças tradicionais latino-americanas.

As comemorações pelo aniversário de Foz do Iguaçu ganharam um importante reforço ambiental e social. Nesta terça-feira, dia 9 de junho, o Horto Municipal foi palco do plantio de mudas de árvores em alusão aos 112 anos de emancipação política do município. A iniciativa integrou as celebrações da cidade às ações do Mês do Meio Ambiente e à campanha Junho Violeta, que foca na Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa.

A ação foi organizada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e contou com a participação direta do prefeito de Foz do Iguaçu, General Silva e Luna. Enquanto parte do lote de árvores foi plantada de forma antecipada, as últimas 15 mudas foram plantadas nesta terça-feira por um grupo especial de moradores, encerrando a atividade de forma simbólica.

O grupo responsável pelo plantio final foi composto por 11 pessoas com mais de 60 anos, incluindo cidadãos centenários. Os participantes representaram as diferentes gerações que ajudaram a construir e a desenvolver a história do município ao longo das últimas décadas.

Simbolismo e respeito à terceira idade

Durante o evento no Horto Municipal, o prefeito enfatizou o valor da atividade para conectar a história da cidade com o seu futuro sustentável. Silva e Luna destacou o papel das gerações passadas na transformação de Foz do Iguaçu e reforçou que o ato de plantar uma árvore renova o compromisso com a natureza e com o desenvolvimento ordenado da cidade.

O envolvimento dos idosos na programação trouxe os seguintes destaques:

  • Representatividade histórica: Moradores idosos e centenários foram os protagonistas do encerramento da ação.
  • Junho Violeta: Três mudas de árvores foram plantadas especificamente pelos idosos para marcar o mês de combate à violência contra a pessoa idosa.
  • Legado ambiental: O plantio totaliza o número exato de anos que o município comemora em seu aniversário de emancipação.

 

A prefeitura espera que a ação sirva de exemplo para que as futuras gerações continuem cuidando da preservação ambiental, da natureza local e do bem-estar da população idosa do município.

 

 

 

Foto em destaque: Divulgação/AMN

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