A manhã desta segunda-feira (23) marcou oficialmente o início da intervenção administrativa na Prefeitura de Ciudad del Este. O interventor designado pela Controladoria Geral da República (CGR), Ramón Ramírez, chegou ao prédio municipal acompanhado por uma forte escolta policial e sob forte aparato de segurança.
O clima no entorno da prefeitura era de tensão. Diversos grupos de manifestantes se reuniram nas imediações desde as primeiras horas do dia. Enquanto apoiadores do prefeito Miguel Prieto pediam respeito ao processo democrático, outro grupo, formado principalmente por ex-funcionários ligados à gestão do ex-intendente Javier Zacarías Irún, fez duras críticas ao atual mandatário.
Forte aparato de segurança para o interventor
Ramón Ramírez desembarcou em Ciudad del Este por volta das 9h da manhã. Seu comboio incluiu veículos da Polícia Nacional e da Guarda Municipal. Além da segurança nas ruas, o acesso ao prédio da prefeitura foi restrito durante o processo de posse e formalização da intervenção.
Segundo informações da CGR, a missão de Ramírez é conduzir uma auditoria completa nas contas da administração municipal. O período de intervenção está previsto para durar entre 60 e 90 dias.

Durante esse tempo, a equipe técnica da Controladoria terá acesso irrestrito a documentos, contratos e sistemas internos da prefeitura. Ao final, um relatório será apresentado às autoridades nacionais, apontando eventuais responsabilidades e sugerindo medidas administrativas ou judiciais.
Vaias e gritos contra Miguel Prieto
Ao deixar o edifício da Prefeitura, Miguel Prieto foi recebido por um coro de vaias, gritos e palavras de ordem. Muitos dos manifestantes exibiam cartazes exigindo investigações mais rigorosas sobre a gestão de Prieto e criticando as supostas irregularidades cometidas durante seu mandato.

De acordo com a imprensa paraguaia, o grupo que liderou os protestos de hoje é formado, em grande parte, por ex-servidores públicos demitidos por Prieto nos últimos anos, desde que o prefeito assumiu o cargo após a histórica vitória eleitoral de 2019, quebrando a hegemonia do Partido Colorado na cidade.
Prieto evita confronto e se afasta de polêmicas
Antes de sair, Miguel Prieto manteve o discurso de buscar a paz e evitar conflitos, como já havia feito em pronunciamentos anteriores. No entanto, a hostilidade de parte da população presente no local foi visível.
Apesar das manifestações contrárias, lideranças ligadas ao movimento Yo Creo, do qual Prieto faz parte, continuam denunciando o que chamam de “perseguição política” promovida pelo Partido Colorado, que tenta retomar o comando da segunda maior cidade do Paraguai.
Prieto, que acumula 39 denúncias na Promotoria desde o início de seu mandato, classificou a intervenção como uma tentativa de desestabilizar sua gestão e impedir sua possível candidatura à presidência em 2028.
O chefe do executivo municipal se instalou na sede da Junta Municipal da cidade, localizada no terreno da prefeitura, onde manterá seu escritório enquanto durar a investigação. Um grupo de cidadãos que lhe prestaram apoio o acompanhou.
Próximos passos da intervenção
Nas próximas semanas, a equipe de intervenção deverá começar uma varredura nos contratos, licitações e programas sociais executados durante os últimos anos da atual administração. Especial atenção será dada aos recursos utilizados em projetos como o “Navidad Sustentable” (Natal Sustentável), que já havia sido alvo de questionamentos da Controladoria.
O clima político em Ciudad del Este segue dividido. Enquanto uma parte da população defende a intervenção como um mecanismo de controle e transparência, outra encara a medida como um ataque político direcionado a Prieto e ao bloco oposicionista que governa a cidade.


