Nostalgia e tecnologia nem sempre parecem combinar, mas quem costuma acompanhar o mercado de smartphones sente um saudosismo inevitável de um passado não muito distante: o dos preços acessíveis. Na última década, o setor passou por uma transformação profunda. Se entre 2016 e 2026 as telas ganharam taxa de atualização impressionante, as câmeras atingiram patamares profissionais e os chips integraram inteligência artificial nativa, a etiqueta de preço acompanhou esse ritmo — e até o segmento de entrada ficou significativamente mais caro.
A guinada reflete custos de produção mais altos, aumento no valor de memórias e processadores com suporte a IA, além de uma mudança clara de posicionamento. Fabricantes como Samsung, Apple, Xiaomi e Motorola distanciaram-se da era dos “smartphones bons e baratos” para apostar no mercado premium.
Samsung: do modelo popular de entrada aos dobráveis de luxo

A trajetória da sul-coreana em dez anos ilustra com clareza o salto geral da indústria. Em 2016, a linha principal da marca começava com o Galaxy S7 e o S7 Edge, vendidos na época por cerca de US$ 650 e US$ 750 — valores que já representavam o topo de linha do mercado. Em 2026, a série Galaxy S26 parte dos US$ 900 e alcança US$ 1.300 na versão Ultra.
A alta fica ainda mais evidente na gama intermediária e de entrada. Há dez anos, a linha Galaxy A e J (como o A3, A5 e J3) custava entre US$ 110 e US$ 399. Hoje, os sucessores diretos — Galaxy A17 5G, A37 5G e A57 5G — chegam custando US$ 250, US$ 450 e US$ 550, respectivamente. O modelo mais básico atual custa mais que o dobro do modelo de entrada de 2016.
Já a faixa mais sofisticada da marca, ocupada em 2016 pelo Galaxy Note 7 (US$ 834) — sim, aquele mesmo com um “problema crônico” de bateria, foi substituída pelos dobráveis de alto padrão. Os novos Galaxy Z Flip8, Fold8 e Fold8 Ultra alcançam marcas entre US$ 1.200 e US$ 2.100.
Xiaomi: de “matadora de topos de linha” ao luxo do mercado premium

Em 2016, a chinesa Xiaomi surpreendia o mundo ao lançar o Mi 5, um topo de linha com processador Snapdragon 820 e design em vidro e metal custando entre US$ 306 e US$ 413. A estratégia agressiva de preços conquistou uma legião de consumidores que buscavam desempenho de ponta sem pagar os valores cobrados por Apple e Samsung.
Uma década depois, a estratégia mudou drasticamente. Os novos Xiaomi 18 Pro e 18 Pro Max chegaram ao mercado com preços iniciais de 5.999 yuans (cerca de US$ 845,00), ultrapassando os US$ 1.400,00 em edições especiais. Equipados com o chip Snapdragon 8 Elite Gen 6, conjunto duplo de câmeras Leica de 200 MP e tela traseira integrada, a marca abandonou o título de “flagship killer” para disputar diretamente a preferência dos consumidores do segmento mais caro da indústria.
Apple e Motorola: fim dos subsídios e inflação no segmento intermediário
A Apple, pioneira no mercado de smartphones, também registrou um aumento contínuo. Em 2007, o iPhone original desembarcou por US$ 499. Durante anos, políticas de subsídios de operadoras mantiveram aparelhos como o iPhone 3G na faixa dos US$ 199 acoplados a contratos. Com o fim dessa prática a partir do iPhone 7 (2016), os preços subiram progressivamente.
Se nos últimos anos o preço base das versões tradicionais ficou em US$ 799, as edições mais avançadas não pararam de subir. Em 2026, o iPhone 18 Pro parte de US$ 1.199, enquanto o iPhone 18 Pro Max começa em US$ 1.299 nos Estados Unidos, com variações ainda maiores nas versões de maior armazenamento.
A Motorola, por sua vez, enfrenta pressão semelhante no segmento intermediário. Após assumir o controle sob a gestão da Lenovo — que em 2016 vendia o Moto G4 por US$ 220 —, a empresa reajustou em 2026 toda a linha Moto G. Aparelhos como o Moto G Play subiram para US$ 249, enquanto o Moto G Power alcançou US$ 399, encostando nos valores da linha Stylus (US$ 499).
Por que os celulares ficaram tão caros?
A explicação para a subida geral de preços vai além do lucro das empresas. O suporte estendido de software — com marcas prometendo até sete anos de atualizações —, a elevação nos custos de fabricação de memórias RAM e armazenamentos NAND, somados aos processadores específicos para processamento de inteligência artificial no próprio aparelho, deixaram a montagem final mais dispendiosa. Um custo que, inevitavelmente, acabou repassado para a ponta final da cadeia: o bolso do consumidor.
Você se recorda de qual era o seu smartphone preferido em 2016, qual era o seu sonho de consumo quando o assunto era um novíssimo e tecnológico celular? Conta aqui pra gente!
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