Um dos profissionais de medicina mais respeitados e admirados da região trinacional utilizou suas redes sociais na noite de ontem (2 de junho) para emitir um forte posicionamento sobre o cenário atual da saúde no município. O Dr. André Lichacovski Filho, especialista em Ginecologia e Obstetrícia reconhecido pela ampla experiência e pela forte atuação na promoção do parto humanizado e pré-natal de qualidade, publicou uma nota de repúdio e desabafo.
No texto, o médico relembra sua trajetória de 40 anos na cidade, iniciada quando chegou para trabalhar na Itaipu Binacional, e traça um paralelo entre a estrutura hospitalar do passado e as dificuldades enfrentadas hoje pela população. Dr. André aponta que a limitação de atendimento em planos de saúde e a consequente sobrecarga do sistema público são reflexos de anos de decisões equivocadas e falta de investimentos compatíveis com o crescimento de Foz do Iguaçu.
Confira abaixo a nota publicada pelo médico na íntegra:
“Foz do Iguaçu merece mais”
“Há 40 anos cheguei a Foz do Iguaçu para trabalhar como médico da Itaipu Binacional. Naquela época, a cidade contava com quatro hospitais: o Hospital da Itaipu, a Santa Casa Monsenhor Guilherme, o Hospital São Vicente de Paulo e a Maternidade Iguaçu.
Em 1994, a Itaipu tomou uma decisão histórica ao abrir as portas de seu hospital para toda a comunidade. Com a construção de uma nova ala e a ampliação da capacidade de atendimento, nasceu o Hospital Costa Cavalcanti, que passou a atender não apenas seus funcionários, mas toda a população da região.
Décadas depois, a realidade é preocupante.
Os custos da medicina aumentaram, as exigências regulatórias ficaram mais complexas e muitas operadoras de saúde passaram a impor restrições que impactam diretamente hospitais e pacientes. Como consequência, Foz do Iguaçu voltou a enfrentar dificuldades que pareciam superadas.
Hoje, contamos com alguns hospitais na cidade, porém, o Hospital Itamed (antigo Costa Cavalcanti), que durante anos foi referência regional, encontra-se limitado em sua capacidade de atender a população. Ao mesmo tempo, o sistema público enfrenta sobrecarga, filas e dificuldades conhecidas por todos os cidadãos.
Essa situação não surgiu da noite para o dia. É resultado de anos de decisões equivocadas, falta de planejamento e ausência de investimentos compatíveis com o crescimento da demanda.
O problema não é apenas local.
Reflete também uma crise mais ampla da saúde brasileira, marcada pela formação desordenada de profissionais, pela falta de políticas estruturantes e pela perda gradual da qualidade assistencial.
Foz do Iguaçu merece mais.
Merece uma rede hospitalar forte, acessível e preparada para atender sua população com dignidade. Merece que gestores públicos, lideranças e instituições se unam para buscar soluções concretas, antes que a situação se torne ainda mais grave.
Como médico que dedicou grande parte de sua vida profissional a esta cidade, faço um apelo: é hora de colocar a saúde novamente entre as prioridades de Foz do Iguaçu.
Dr. André Lichacovski Filho > Médico ginecologista e obstetra > CRM 7967“
Hospital Municipal opera com 125% de ocupação e confirma crise real

A gravidade do cenário alertado pelo Dr. André Lichacovski é confirmada por dados oficiais emitidos nesta semana. O Hospital Municipal Padre Germano Lauck voltou a registrar um quadro severo de superlotação, operando atualmente com uma taxa de ocupação de 125,6%. A unidade, que possui capacidade instalada para 218 leitos, atende neste momento 275 pacientes internados, deixando seis pessoas em estado crítico aguardando vaga em leitos de UTI.
A pressão assistencial gera um efeito cascata nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Foz do Iguaçu. Conforme o boletim diário, 62 pacientes estão retidos nas UPAs aguardando regulação para internação hospitalar — sendo 49 dependentes do sistema estadual (SUS Fácil) e 13 da fila municipal.
Para tentar desafogar os prontos-socorros, a Secretaria Municipal de Saúde estuda transferir 12 desses pacientes regulados pelo município para o programa de tratamento ortopédico eletivo do Poliambulatório Municipal. A medida poderia reduzir a fila municipal em quase 20%, liberando leitos de observação de urgência.
Segundo a direção da própria autarquia de saúde, mais de 20 alertas formais de superlotação já foram emitidos somente neste ano, comprovando o colapso contínuo e a urgência por soluções estruturais debatida pela comunidade médica.
Foto em destaque: Reprodução das redes sociais


