O podcast “Elas na Fronteira”, gravado no estúdio Nissei, na LoumarTV, trouxe uma história de inspiração e empreendedorismo feminino com a entrevista de Selma Cavalcante, proprietária do restaurante Seldeestrela, que oferece uma experiência completa da culinária amazônica em Foz do Iguaçu.
Originalmente de Rio Branco/AC Selma possuía uma carreira consolidada como professora de educação física, português, inglês, e pedagogia. Ela se descreve como uma mulher “completa”, que coordenava formações e cuidava de casa. Seu sonho não era ser empresária, mas sim, diretora de escola.
A mudança para Foz do Iguaçu e o início do empreendedorismo
A vinda para Foz do Iguaçu não foi por concurso, mas sim, para acompanhar seu filho, que veio cursar medicina no Paraguai em 2016. Selma visitou a cidade em 2017 e ficou encantada e apaixonada, vendo Foz como uma cidade linda. Ela planejava retomar sua carreira como professora, mas o destino, acelerado pela pandemia, a levou a se reinventar.
Com a COVID-19, e a necessidade de investir na formação dos filhos, Selma começou a empreender. Ela iniciou vendendo cappuccinos, bolos, e doces sob a marca “Sonho Meu”. Inicialmente, ela não tinha vergonha de vender, mas precisava de um novo rumo.
Tenho orgulho de ser feirante
A grande virada ocorreu quando alguém sugeriu que ela trouxesse a culinária amazônica. Mesmo enfrentando o desafio de trazer insumos como tucupi e jambu do Norte (Pará), exigindo logística aérea complexa e notas fiscais, ela começou a vender pratos típicos como tacacá (que precisa ser servido bem quente), kibe de macaxeira e maniçoba (um prato que exige cozimento de sete dias para tirar as toxinas da maniva).
A escola da feira e a força da comunidade
Selma buscou apoio em instituições locais, tornando-se MEI (Microempreendedora Individual) e contando com o suporte do SEBRAI e da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu para participar das feiras. Ela iniciou em uma barraquinha, passou pela Praça da Bíblia e feiras itinerantes, e depois conseguiu uma vaga na feirinha da JK.
Com o sucesso, Selma conseguiu comprar um trailer por R$ 23.000,00, pagando à vista com o dinheiro que juntou nas feiras. No trailer, ela passou a se chamar “Comidas Nortistas” para abranger toda a culinária do Norte, já que muitos confundiam com “Comida Nordestina”.
Selma enfatiza que a feira é uma escola, um ambiente que a moldou e a ensinou a se vender junto com o produto. Ela incentivou outras mulheres empreendedoras a participarem de grupos e a buscarem conhecimento.
O restaurante Seldeestrela: Uma experiência imersiva
Após quase três anos no trailer, Selma abriu o restaurante “Seldestrela”. O nome é uma homenagem à estrela vermelha na bandeira do Acre, simbolizando a luta do estado para fazer parte do Brasil.
Localizado na Avenida Felipe Wandscheer, 2420, na Vila Yolanda, em frente à Faculdade Uniguaçu, o restaurante é mais do que um local de refeição; é uma “experiência da região amazônica”.
O ambiente foi meticulosamente planejado por uma arquiteta de sua cidade natal (via online), com artes que contam a história e lendas da Amazônia, como a Vitória Régia e a onça.
Um dos pontos mais comentados do restaurante, segundo Selma, é o banheiro, que oferece uma surpresa e uma “experiência maravilhosa” para os visitantes. O objetivo de Selma é gerar emoção, matar a saudade e propiciar amizades.
Mensagem de Selma
A mensagem que Selma deixa para quem está chegando em Foz e sonha em empreender é: Perseverança e Estudo. Ela aconselha buscar redes de mulheres e investir no próprio conhecimento, pois o estudo é “libertador”.
O episódio completo, com detalhes da inspiradora trajetória de Selma, está disponível no canal do YouTube da LomarTV, assista:
