Apesar da realização do certame público promovido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pelo Ministério do Turismo nesta quarta-feira (12), o comando operacional do Passeio do Macuco permanecerá nas mãos de quem já conhece detalhadamente o atrativo. O Consórcio Novo PNI Macuco venceu o leilão de concessão realizado na sede da B3, em São Paulo, ao apresentar uma proposta de outorga fixa de R$ 79,9 milhões — o que representou um ágio expressivo de 115,02% sobre o valor mínimo estipulado no edital.
O grupo vencedor é composto pela Ilha do Sol — atual administradora das operações do Macuco Safari —, em conjunto com a Cataratas do S/A e a Construcap (controladora da Urbia Parques), concessionárias que já gerenciam os serviços de visitação e a infraestrutura do Parque Nacional do Iguaçu. Na prática, o resultado consolida a gestão unificada do turismo no parque, mantendo o controle das experiências terrestres e embarcadas sob os mesmos grupos empresariais.
A abertura da sessão foi conduzida por Guilherme Peixoto, superintendente de relacionamento e governança em licitações da B3, que cumprimentou autoridades, técnicos do governo federal e representantes do ICMBio presentes na mesa de negociações.
Disputa rápida e desistência de viva-voz
Conforme as regras do edital, o valor mínimo de outorga fixado pela administração pública era de R$ 37.159.745,00. Os envelopes com as propostas econômicas foram lidos publicamente em ordem decrescente.
O leilão contou com a participação de dois grupos concorrentes:
- Consórcio Novo PNI Macuco: Apresentou o maior lance inicial, fixado em R$ 79.900.000,00 (ágio de 115,02%);
- Consórcio Passeio do Iguaçu: Registrou a proposta inicial de R$ 56.669.000,00 (ágio de 52,50%).
Como a diferença entre as duas propostas envelope foi expressiva e o regulamento previa a etapa de lances em viva-voz com incremento mínimo de R$ 1 milhão, o leiloeiro abriu a palavra ao Consórcio Passeio do Iguaçu para cobrir a oferta do primeiro colocado. O grupo concorrente declinou do direito de apresentar novos lances, encerrando a disputa de forma rápida e decretando a vitória do Consórcio Novo PNI Macuco pela batida do martelo.
Compromissos, investimentos e tarifas menores
Com a vitória confirmada, o Consórcio Novo PNI Macuco assume a concessão por um período de 15 anos, sob um contrato com valor estimado global de R$ 290,1 milhões. Do total de compromissos previstos no edital, o grupo terá de aplicar entre R$ 76,8 milhões e R$ 85 milhões em melhorias diretas na infraestrutura e nos serviços de atendimento ao visitante.
Além da outorga fixa arrematada na B3, o consórcio repassará obrigatoriamente 6% de sua receita bruta anual ao ICMBio. Entre as obrigações operacionais estipuladas para a renovada gestão estão a frota de veículos elétricos e barcos periodicamente atualizada, normas de segurança chanceladas pela Marinha do Brasil e modernização das bases de embarque.
Para o turista e para a comunidade local, a assinatura do novo contrato trará um alívio financeiro imediato: o edital exige que a concessionária aplique uma redução superior a 20% no teto da tarifa cobrada atualmente pelo passeio de barco, além de prever isenções para cadastrados no CadÚnico e descontos para moradores dos municípios lindeiros ao Parque Nacional do Iguaçu.
Foto: reprodução/B3




