A busca desenfreada por medicamentos para emagrecimento, como o Ozempic e o Mounjaro (Tirzepatida), transformou Ciudad del Este no epicentro de uma nova “febre do ouro”. No entanto, o que parece ser um atalho econômico para a perda de peso tem se tornado um grave risco à saúde pública e um desafio diário para a segurança na aduana da Ponte da Amizade.
Destino Iguaçu News
Este foi um dos temas debatidos na edição desta segunda-feira (09) do programa Destino Iguaçu News, que contou com a participação de Garon Piceli, Kaká Souza e Luciano de Melo Santana. Você pode assistir o programa completo neste link.
Estoques esgotados e a proliferação de farmácias
Luciano Santana observou que o frenesi de brasileiros cruzando a fronteira em busca das famosas “canetas” surpreendeu tanto os laboratórios quanto os revendedores. Segundo ele, o ritmo de vendas é tão atípico que farmácias paraguaias estão esgotando estoques projetados para durar seis meses em apenas uma semana.
Kaká Souza ressaltou que esse boom comercial provocou uma expansão imobiliária agressiva, com dezenas de novas farmácias abrindo em quase todas as esquinas da cidade vizinha. Luciano reforçou que o cenário é um problema de saúde pública e segurança que exige controle rigoroso do governo brasileiro. Entretanto, ele pontuou que a fiscalização da Anvisa deve atuar de forma a não prejudicar o cidadão que cumpre as normas ao adquirir o produto legalmente e com receita médica.
Alerta: Medicamentos em fase de testes apreendidos
O perigo vai muito além da automedicação irresponsável. Durante o programa, Kaká Souza chamou a atenção para uma apreensão recente da Receita Federal na BR-277: uma carreta com fundo falso que escondia centenas de caixas de Retatrutida.
Segundo o colunista, o detalhe alarmante é que essa substância ainda se encontra na fase 3 de testes clínicos e não tem aprovação para uso comercial em nenhum lugar. Isso demonstra que os contrabandistas já estão introduzindo produtos experimentais no Brasil. Kaká reiterou que a entrada dessas substâncias sem o crivo da Anvisa representa um risco gravíssimo à saúde dos consumidores.
A quebra da patente e a guerra de preços
O cenário fronteiriço deve sofrer uma reviravolta nos próximos dias. Garon Picelli lembrou que faltam apenas 10 dias para a patente da Semaglutida (princípio ativo do Ozempic) expirar no Brasil. No dia 20 de março, encerra-se o período de 20 anos de exclusividade do medicamento no país.
Garon explicou que a quebra da patente deve desencadear uma “guerra de preços” com o lançamento de genéricos, reduzindo drasticamente o custo do tratamento mensal. Essa mudança legislativa já movimenta laboratórios no Paraguai, que se preparam para essa nova onda de produção. O empreendedor acrescentou que o turismo de saúde e tratamentos moleculares podem expandir e virar uma tendência consolidada no país vizinho.
Como comprar com segurança e legalidade?
Para os turistas que precisam do medicamento e buscam os preços atrativos do Paraguai, a recomendação é rigorosa. Luciano Santana alerta: a compra deve ser feita obrigatoriamente com receita médica e apenas em farmácias certificadas pela DINAVISA (órgão de vigilância sanitária paraguaio). É essencial garantir que o estabelecimento cumpra os critérios de refrigeração exigidos para a conservação do produto.
Outro ponto crucial citado por Luciano é que, para ingressar legalmente no Brasil, o viajante não pode utilizar o canal verde da aduana. Ele reforça que é obrigatório apresentar o medicamento e a receita à fiscalização da Anvisa no momento da travessia. Esse procedimento evita a apreensão do produto e garante que a importação para uso pessoal ocorra dentro da legalidade.
