O cenário nas Cataratas do Iguaçu segue em estado de alerta. Pelo segundo dia consecutivo, a forte redução no volume de água do Rio Iguaçu forçou a suspensão dos passeios náuticos no lado argentino do Parque Nacional. Após um registro crítico de apenas 517 m³/s na terça-feira (10), o volume apresentou uma leve oscilação, atingindo 654 metros cúbicos por segundo (m³/s) na tarde desta quarta-feira (11) — marca que ainda representa pouco mais de um terço do fluxo normal (1.500 m³/s).
A paralisação das atividades pela empresa Iguazú Jungle não é ocasional. Por medida de segurança, a operadora argentina reavalia e geralmente interrompe as navegações sempre que a vazão se aproxima do limite de um terço do volume normal. Com o rio nestes níveis, a profundidade nos canais de aproximação dos saltos argentinos torna-se insuficiente para garantir a dirigibilidade das embarcações.
Lado brasileiro mantém operação

Diferente do que ocorre na margem argentina, o passeio náutico do lado brasileiro, operado pelo Macuco Safari, seguiu funcionando normalmente até o fechamento desta matéria. A operação brasileira consegue manter o cronograma devido às características geográficas do canal de navegação e aos pontos de embarque, que permitem a continuidade do serviço mesmo em períodos de baixa vazão.
Impacto no abastecimento em Puerto Iguazú
A crise hídrica ultrapassa as fronteiras do turismo e atinge diretamente o cotidiano da população vizinha. Em Puerto Iguazú, a baixa vazão prejudica severamente a captação de água bruta. Com o rio em níveis tão baixos, as bombas da planta potabilizadora enfrentam dificuldades operacionais, resultando em falta de água e baixa pressão em diversos bairros da cidade argentina.
De acordo com os dados da Prefectura Naval Argentina:
- Comandante Andresito: O nível do rio está em apenas 0,32 metros (o normal é 1 metro).
- Puerto Iguazú: O rio registra a marca de 7,90 metros, com tendência de queda.
A influência das represas
A oscilação acentuada no volume de água está diretamente ligada às operações das usinas hidrelétricas situadas em território brasileiro, acima do Parque Nacional. São seis grandes usinas hidrelétricas operando no curso principal do Rio Iguaçu, sendo cinco delas operadas integralmente pela Copel, e uma sexta, operada pelo Consórcio Empreendedor Baixo Iguaçu (CEBI), onde a Copel possui participação de 30%. O manejo das barragens para a geração de energia dita o volume que chega à fronteira, criando janelas de seca extrema como a vista nas últimas 48 horas.
Enquanto a navegabilidade argentina segue suspensa, o turista depara-se com o fenômeno das “Cataratas de Pedra”. É um momento raro que revela toda a estrutura geológica e as rochas basálticas dos saltos, mas que serve como um lembrete visual da severidade da estiagem que atinge a bacia do Rio Iguaçu neste início de 2026.







