Representantes e lideranças de diferentes territórios fronteiriços do país estão reunidos até sábado (29) no encontro “Construção do Futuro nas Fronteiras”, promovido pelo Sebrae Nacional e Sebrae/PR. O evento, sediado na trifronteira que conecta Dionísio Cerqueira (SC), Barracão (PR) e Bernardo de Irigoyen (Argentina), tem como foco transformar a dinâmica de divisas internacionais em oportunidades de desenvolvimento para pequenos negócios.
Entre os palestrantes do encontro, o empresário Marcelo Valente, CEO da Loumar Turismo, compartilhou as estratégias e lições do destino iguaçuense na criação de uma cadeia turística integrada e na expansão do tempo de permanência dos visitantes.
A experiência de Foz do Iguaçu como modelo de integração

Durante o painel dedicado às oportunidades no turismo, gastronomia, serviços e comércio de fronteira, Marcelo Valente abordou como Foz do Iguaçu articulou suas atrações de forma complementar com Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú (Argentina).
“Foz do Iguaçu começou a aumentar a recorrência e o tempo de permanência quando passou a pensar a região como um conjunto de experiências. Gastronomia, hotelaria, atrativos e compras passaram a se complementar”, explicou o empresário. “Há alguns anos, o visitante permanecia em média dois dias; hoje, já caminhamos para quatro dias e meio e até cinco dias, resultado dessa integração e das experiências oferecidas.”
A fala de Valente serviu de insumo para debater como outras cidades “trigêmeas” do país podem deixar de ser pontos de simples passagem e passar a reter o consumo dos viajantes. Ao destacar a trajetória e as particularidades do mercado local, Marcelo Valente reforçou que o sucesso dos negócios na região depende da vivência prática no território:
“A fronteira exige uma logística e um pensamento totalmente diferentes. É preciso viver a fronteira de forma intensa para entender como ela funciona. Por isso, a empresa que quer prosperar aqui precisa ter experiência e se antecipar aos fatos”, pontuou o empresário.
Durante sua participação no painel, Marcelo Valente ressaltou que a hiperespecialização em turismo de fronteira foi o grande motor de expansão da sua empresa na Tríplice Fronteira, permitindo competir diretamente com grandes redes do setor.
“Quanto mais específico e especialista você for na fronteira, mais sucesso vai ter. O turista que chega ao aeroporto busca liberdade para transitar entre Brasil, Paraguai e Argentina. Entender essas particularidades locais — como a exigência da Carta Verde e as regras de transporte — é o que diferencia uma operação local de gigantes nacionais”, defendeu Valente.
Além de defender a integração entre compras, gastronomia e hotelaria, Marcelo Valente relembrou o processo de amadurecimento de Foz do Iguaçu, que passou de um polo focado em compras para um dos destinos mais desejados do Brasil.
“Nós aprendemos a trabalhar na época em que era dureza, quando pouca gente falava de Foz do Iguaçu. Hoje isso mudou radicalmente: todo mundo quer conhecer a cidade. Vemos constantemente personalidades e grandes empresários descobrindo o destino pela primeira vez e se maravilhando com o que a nossa região tem a oferecer”, afirmou Valente ao público do evento.
Agenda nacional e Carta das Fronteiras
O encontro aborda ainda temas como a expansão de lojas francas (free shops), desafios regulatórios e fiscais, infraestrutura logística e cooperação transfronteiriça, reunindo representantes de regiões como Tabatinga (AM) e da fronteira com o Uruguai, além de órgãos como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Paralelamente, o município sedia o IV Festival Internacional de Turismo La Frontera, com expectativa de atração de 60 mil pessoas até domingo (30).
Ao término da programação, as deliberações do evento serão consolidadas na “Carta das Fronteiras”, documento com diretrizes de governança, economia e compromissos institucionais para o desenvolvimento dos territórios fronteiriços brasileiros.
Fotos: Garon Piceli/Portal Clickfoz